E-mail de executivo da Odebrecht cita ‘arranjo’ e Sérgio Cabral

E-mail de executivo da Odebrecht cita ‘arranjo’ e Sérgio Cabral

'Petrobrás vai conversar com o governador sobre este novo arranjo com a participação da Norberto Odebrecht, é importante Sérgio Cabral ratificar', diz mensagem captada pela Polícia Federal

Redação

22 de junho de 2015 | 18h28

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Atualizada em 23/6, às 13h52

Por Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, Julia Affonso e Fausto Macedo

E-mail enviado por Rogério Araújo, da empreiteira Norberto Odebrecht – preso pela Operação Lava Jato desde sexta-feira, 19 -, para quatro executivos, em 4 de outubro de 2007, cita o nome do então governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), atualmente investigado pela Procuradoria-Geral da República na Operação Lava Jato.

Alexandrino Alencar prestou depoimento à PF na noite desta segunda-feira, 22. Durante cerca de uma hora, ele reiterou o que já havia dito em outros depoimentos e colaborou com as investigações.

Qualificação do executivo Rogério Araújo, da Odebrecht, nos autos da Lava Jato / Foto: Reprodução

Qualificação do executivo Rogério Araújo, da Odebrecht, nos autos da Lava Jato / Foto: Reprodução

Na mensagem, Rogério Araújo, também alvo da investigação sobre esquema de corrupção e propinas na Petrobrás, trata de um empreendimento de interesse da Construtora Norberto Odebrecht (CNO). Ele fala em ‘arranjo’ com a participação da Odebrecht. “Petrobras/PR vai conversar com o Governador sobre este novo arranjo com a participação da CNO ( é importante o Sérgio Cabral ratificar! e também definir o seu interlocutor neste assunto que atualmente junto a Petrobrás e Mitigue é o Eduardo Eugenio.”

Pezão, à esquerda, e Cabral. Foto: Marcos de Paula/Estadão - 4/4/2014

Pezão, à esquerda, e Cabral são investigados na Lava Jato. Foto: Marcos de Paula/Estadão – 4/4/2014

Esse e-mail faz parte de longa sequência de mensagens interceptadas pela força-tarefa da Operação Lava Jato. A correspondência foi anexada aos autos da Erga Omnes, 14.ª etapa da investigação sobre corrupção e propinas na estatal petrolífera que aponta para o suposto envolvimento da maior empreiteira do País – o presidente da companhia, Marcelo Odebrecht e outros executivos foram presos sexta-feira, 19.

No e-mail que cita Cabral, o executivo da Odebrecht trata de uma obra no âmbito do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj). Ele divide a mensagem em três tópicos. O primeiro menciona o executivo Julio Camargo, apontado pela PF como lobista de multinacionais e operador de pagamentos a ex-dirigentes da Petrobrás.

A PF suspeita que Araújo estaria se referindo ao empreendimento Unidades de Geração de Vapor e Energia, Tratamento de Água e Efluentes do Comperj. no qual a estatal petrolífera contratou consórcio formado pela Odebrecht, Toyo e UTC. A PF destaca a ‘orientação’ que a Petrobrás teria dado a Julio Camargo e ao empreiteiro Ricardo Pessoa, dono da UTC Engenharia, para que a parceria com a Odebrecht se concretizasse.

O ex-governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), reiteradamente tem negado qualquer envolvimento com empreiteiros e com o esquema de propinas na Petrobrás.

O ex-governador Sérgio Cabral nega interferência em obras da Petrobrás.

Em comunicado publicado nesta segunda-feira, 21, nos principais jornais do País, a Odebrecht, investigada pela Operação Lava Jato, nega ter participado de qualquer cartel na Petrobrás. “Não há cartel num processo de contratação inteiramente controlado pelos contratantes, como ocorre com a Petrobrás, onde a mesma sempre definiu seus próprios orçamentos e critérios de avaliação técnico-financeiro e de performance.”

COM A PALAVRA, A FEDERAÇÃO DAS INDÚSTRIAS DO RIO DE JANEIRO (FIRJAN)

“Sou presidente da Firjan, onde são debatidos os temas de importância estratégica para o Rio de Janeiro. É evidente que mantenho interlocução permanente com as principais lideranças políticas do estado e do país. O governador Cabral sempre foi um desses interlocutores. Uma coisa, porém, é certa: jamais tratei de interesse desta ou daquela empresa no Comperj com o ex-governador. Meu nome foi citado numa troca de e-mails de terceiros e sou agora indagado a respeito. Tenho horror a bandalheira. Estou entre os que apoiam as investigações em curso no país desde a primeira hora. Elas estão em linha com meu desejo de um Brasil ético e transparente. A simples menção a meu nome em meio ao contexto de toda a lama trazida à tona pela Lava Jato é ultrajante.”

 

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