‘É do Estado a responsabilidade sobre o dr. Paulo’

‘É do Estado a responsabilidade sobre o dr. Paulo’

Advogado Ricardo Tosto, que defende deputado e ex-prefeito preso e condenado por lavagem de dinheiro, afirma que Paulo Salim Maluf, de 86 anos, 'está numa situação grave'

Luiz Vassallo e Fausto Macedo

21 de dezembro de 2017 | 20h26

Paulo Maluf. FOTO TIAGO QUEIROZ / ESTADÃO

O advogado Ricardo Tosto disse que ‘o Estado não pode entregar o dr. Paulo de uma forma diferente da que ele entrou na prisão’. Paulo Salim Maluf, deputado (PP/SP), ex-prefeito de São Paulo (1993/1996), está preso na Polícia Federal em São Paulo desde quarta-feira, 20.

Condenado a 7 anos, 9 meses e dez dias por crime de lavagem de dinheiro, ele se entregou.

Nesta quinta, 21, a ministra Cármen Lúcia, presidente do Supremo Tribunal Federal, negou pedido de prisão domiciliar para Maluf. Continua valendo a decisão do juiz Bruno Macacari, da Vara de Execuções Penais do Distrito Federal, que ordenou a transferência do deputado para a ala de idosos do Centro de Detenção Provisória da Penitenciária da Papuda, em Brasília.

Maluf foi condenado em 23 de maio pela Primeira Turma da Corte sob a acusação de lavagem de dinheiro devido a movimentações bancárias de US$ 15 milhões entre 1998 e 2006 em contas na ilha de Jersey, paraíso fiscal localizado no Canal da Mancha.

O deputado é acusado de desvios de recursos públicos no período em que exerceu o mandato de prefeito de São Paulo, entre 1993 e 1996. Os desvios teriam ocorrido, segundo o Ministério Público, principalmente nas grandes obras viárias de sua gestão, o Túnel Airton Senna e a Avenida Água Espraiada, hoje Jornalista Roberto Marinho.

Na prisão da PF em São Paulo, Maluf, de 86 anos, ocupa uma cela na Custódia, terceiro andar do prédio-sede da Superintendência Regional, no bairro da Lapa.

Seus defensores afirmam que ele ‘está deprimido, arrasado, abalado’. Foi apanhado de surpresa pela ordem do ministro Edson Fachin, para cumprimento imediato da condenação.

“Ele (Maluf) vai ser transferido para Brasília entre amanhã (sexta, 22) e terça (27). Estamos com uma grande preocupação com a saúde dele”, disse Ricardo Tosto. “Não é estratégia, não é nada. Ele está ruim mesmo, com problemas cardíacos, hérnia de disco. Recentemente, fez quimioterapia para combater um câncer.”

Tosto declarou que, na carceragem da PF, Maluf está ‘sofrendo’. “Até para andar ele pede ajuda aos outros presos. Quando usa o banheiro tem que pedir ajuda para se levantar. Ele enfrenta uma situação grave.”

O advogado aponta para o que chama de ‘responsabilidade do Estado’.

“A responsabilidade pelo dr. Paulo é do Estado. O Estado não pode entregar um outro dr. Paulo, em pior estado de saúde daquele que se encontrava quando entrou na prisão.”

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