E-commerce e falta de conectividade

E-commerce e falta de conectividade

Benhur Cezar*

10 de agosto de 2021 | 17h52

A pandemia escancarou um problema que muitas empresas dependentes de tecnologia rápida já sabiam faz tempo: o brasileiro enfrenta sérios problemas de conectividade em áreas remotas. Mesmo em tempos nos quais a mídia já menciona as maravilhas da tecnologia 5G, ela está longe de ser uma realidade próxima em grande parte do país.

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Benhur Cezar. Foto: divulgação.

Segundo o Speedtest Global Idex, que classifica os países de acordo com suas respectivas velocidades de internet, o Brasil ocupa o 83º lugar no ranking de velocidade para mobile, e 57º lugar para web. Para se ter uma ideia do quanto esta posição é ruim, enquanto a velocidade de download mobile da Coreia do Sul, líder do ranking, é 93.84 Mbps, a da Brasil é 24.20 Mbps; já a média global é 31.61 Mbps. Só que esse valor é uma média, já que a qualidade da conexão em uma metrópole é bem diferente da qualidade da conexão em um local mais afastado e com menos infraestrutura.

Por outro lado, enquanto a nossa internet não é das melhores, nossa demanda aumenta gradativamente: o mercado eletrônico brasileiro já é considerado o 10º maior em uma escala global.

A dificuldade de acesso à rede tem tudo a ver com falta de infraestrutura. Em 2017, um estudo realizado pelo Boston Consulting Group (BCG) estimou que o Brasil necessitaria de aproximadamente R$ 200 bilhões em investimentos para melhorar o acesso à internet em todas as regiões. Como as operadoras preferem ampliar a extensão de fibras óticas nos grandes centros em detrimento da instalação de mais antenas em locais mais distantes por considerarem que determinadas localidades não são rentáveis, muitas empresas que dependem da rede estão toureando a situação com tecnologias inovadoras, que possibilitem uma navegação mais rápida. É o caso dos e-commerces.

Para tentar driblar a internet ruim fora do eixo Rio-São Paulo, e ser capaz de propiciar experiências mais positivas aos clientes, as lojas online estão recorrendo a tecnologias mobile como padrão, com objetivo de fazer com que boa parte da responsabilidade do aplicativo rode do lado do cliente. Esta é uma estratégia que permite dispensar tantos recursos do servidor, tornando a navegação mais rápida do lado do usuário. Para este resultado, prioriza-se o desenvolvimento rápido de soluções que dispensam a criação de códigos muito personalizados.

Entre as tecnologias utilizadas, estão frameworks para front-end e também aquelas voltadas para tornar a UI (User Interface) ainda mais ricas e responsivas. Sempre que houver seções de UI atualizadas dinamicamente – por exemplo, alterações que dependam das ações do usuário ou que ocorrem quando uma fonte de dados externa for alterada, fica por conta da própria solução ajudar a implementá-las de forma mais simples e sustentável.

Infelizmente, não é possível mudar a situação da conexão geral de internet no país; entretanto, é possível trabalhar para se destacar com um site de fácil acesso e com boa usabilidade. Investir na construção de experiências digitais de qualidade pode assegurar que o cliente continue percebendo valor não está apenas no produto que você vende, mas também no serviço oferecido.

Há muitas oportunidades para os e-commerces fora do eixo Sul-Sudeste; entretanto, cativar estes novos clientes requer um novo olhar sobre a tecnologia, além de uma mudança de mentalidade. Para que as pessoas que se encontram em regiões com pouca conectividade optem pelas compras online e habituem-se a esta comodidade, é necessário que elas tenham experiências cada vez mais surpreendentes. E, para isso, as lojas online precisam fazer sua lição de casa, serem criativas e versáteis – já que milagres não acontecem em termos de infraestrutura.

*Benhur Cezar, diretor de tecnologia da Estrela10

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