Duque diz que delator roubou dinheiro de consórcio

Ex-diretor da Petrobrás afirma em acareação na CPI que 'não bate' valor recebido da estatal e quantia que Augusto Mendonça diz ter pago de propina

Redação

02 de setembro de 2015 | 14h17

Foto: Ricardo Brandt/Estadão

Foto: Ricardo Brandt/Estadão

Por Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba

Durante a acareação promovida pela CPI da Petrobrás em Curtiba, cidade-sede da Lava Jato, nesta quarta-feira, 2, o ex-diretor de Serviços da estatal petrolífera Renato Duque acusou seu delator, o empresário Augusto Mendonça, da Toyo Setal, de ‘roubar’ parte de dinheiro de propina relativa a dois contratos com um consórcio.

Na abertura dos trabalhos da CPI, Renato Duque avisou que ficaria em silêncio, seguindo orientação de seus advogados. Mas rompeu o silêncio cada vez que lhe interessava, especialmente para atacar seu delator. Nesses momentos da sessão, ele passou de acusado a acusador.

“Eu estou sendo acusado nos dois contratos. Eu li e reli e não bate. Ele (Mendonça) recebeu dinheiro do consórcio para repassar propina. Não bate. Dos R$ 110 milhões que ele diz que recebeu para pagar propina diz que repassou só R$ 33 milhões. Ele roubou do consórcio.”

Duque, o delator e o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto ficaram frente a frente na CPI da Petrobrás. Vaccari, assim como Duque, é alvo da Lava Jato por corrupção e lavagem de dinheiro. Vaccari foi acusado por Mendonça de ter recebido ‘contribuições’ destinadas ao PT.

Ao rebater as informações de Mendonça, o ex-diretor da Petrobrás citou o lobista Júlio Camargo, também delator da Lava Jato, que agiu como intermediário na rede de propinas. Mendonça declarou à força-tarefa da Lava Jato que recebeu R$ 110 milhões para repassar. Uma parte, R$ 33 milhões, teria sido destinada a Júlio Camargo. “Os números não batem. É matemática. É pegar os R$ 33 milhões para o Júlio Camargo. Mas recebeu R$ 110 milhões. Ele tem que explicar onde está o dinheiro”, questionou Renato Duque.

O ex-diretor insistiu. “Ele (Mendonça) recebeu dinheiro do consórcio para repasse de propinas, é o que ele diz. Ele diz que pagou R$ 33 milhões para o sr. Júlio Camargo, o sr. Júlio diz que repassou R$ 12 milhões de propinas. Só aí tem (diferença) R$ 21 milhões que estão no ar, que ninguém sabe onde estão. Essa conta é matemática, ele (Mendonça) tem que explicar.”

Renato Duque, no papel de acusador, afirmou. “O resto (da propina) sumiu. Se tem alguém aqui que está mentindo e está roubando não sou eu. Eu estou dizendo que ele (Mendonça) roubou, é isso que estou dizendo. Ele (Mendonça) sabe disso, ele roubou do consórcio.”

Questionado pela CPI, Augusto Mendonça declarou. “Eu entendo que ele (Duque) está num processo de defesa. Está sendo julgado (o ex-diretor é réu em ação penal na Justiça Federal de Curitiba), vai apresentar sua defesa e está aqui se justifcando e não repondendo as questões.”

Duque voltou à carga. “Não é opinião, é matemático. Onde é que ele enfiou esse dinheiro? É ele que tem que explicar, não sou eu que tem que explicar.”

Augusto Mendonça afirmou. “Eu entreguei ao Ministério Público todos os contratos e todas as notas fiscais que mostram a saída dos recursos. Entreguei também as contas que me foram indicadas para depositar isso. São os documentos que eu tenho.”

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