Duda contesta versão da J&F sobre R$ 2 milhões

Duda contesta versão da J&F sobre R$ 2 milhões

Joesley e executivo afirmaram em delação que valor foi pago para campanha de Skaf em 2014

Fabio Serapião, de Brasília

05 Agosto 2017 | 05h00

Duda Mendonça durante sessão da CPI dos Correios, em agosto de 2005. FOTO: CELSO JUNIOR/ESTADÃO

O marqueteiro Duda Mendonça contestou a versão dada pelo empresário Joesley Batista, acionista do Grupo J&F, e por Ricardo Saud, diretor da JBS, para um pagamento de R$ 2 milhões que recebeu do Grupo J&F. Os executivos afirmaram em seus acordos que o repasse, por meio da contratação de uma empresa de Duda, teria como finalidade cobrir gastos da campanha de Paulo Skaf (PMDB) ao governo de São Paulo, em 2014. O marqueteiro, por sua vez, disse que recebeu por causa de serviços prestados para a pré-campanha do irmão de Joesley, João Batista Júnior, conhecido como Júnior Friboi, ao governo de Goiás.

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Ex-marqueteiro do PT, Duda Mendonça assinou um acordo de colaboração premiada com a Polícia Federal que aguarda homologação no Supremo Tribunal Federal. É a primeira vez que uma colaboração firmada pela PF chega ao STF, onde já tramita uma ação proposta pela Procuradoria-Geral da República que sustenta que é inconstitucional que a polícia celebre os acordos.

O documento ao qual o Estado teve acesso está anexado à delação que está no STF e elenca em 58 tópicos informações sobre os valores recebidos pelo marqueteiro por serviços que teriam sido prestados ao Grupo J&F, dono da JBS, e que tem como principal acionista a família Batista. As “explicações” vão no sentido contrário das prestadas por Batista e Saud.

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Uma planilha entregue por Saud à PGR indica “R$ 2 milhões, campanha Paulo Skaffi (sic), autorizado por Temer, pagar para empresa JEMC, escritório de consultoria de Duda Mendonça, publicitário do mesmo”. Skaf, presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), foi candidato a governador de São Paulo, em 2014, pelo PMDB. Sobre o pagamento, Saud juntou uma cópia da nota fiscal n.º 201418 com uma anotação à caneta “PMDB MT Paulo Skaf”.

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A mesma nota fiscal apresentada por Saud como prova do repasse da J&F para pagar despesas da campanha de Skaf é citada por Duda Mendonça para justificar valores recebidos por serviços prestados ao irmão de Joesley, João Batista Júnior. Conhecido como Júnior Friboi, o empresário foi filiado ao PMDB de Goiás e chegou a se colocar como pré-candidato ao governo de Goiás, em 2014. Júnior desistiu da disputa antes mesmo do início da campanha.

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Os advogados de Duda narram que o repasse de R$ 2 milhões do Grupo J&F para a empresa JECM Escritório de Consultoria Ltda. é proveniente de um contrato firmado em 24 de fevereiro de 2014 entre as duas partes. Os contatos para a contratação por Júnior Friboi, segundo Duda, começaram entre junho e julho de 2013 e foram efetuados pelo próprio Joesley.

Como prova, Duda Mendonça anexou ao documento e-mails e mensagens trocados com Joesley e com terceiros que prestaram os serviços para a pré-campanha de Júnior Friboi. Em um desses e-mails, de 3 de setembro de 2013, Joesley informa Duda sobre a confirmação de um encontro entre o marqueteiro e o então futuro candidato. “Ta confirmado com meu irmão Júnior terça que vem la em casa! Abração, boa semana (sic)”, diz a mensagem.

A defesa de Duda Mendonça não respondeu aos contatos da reportagem. O espaço está aberto para manifestações.

COM A PALAVRA, O GRUPO J&F

Por meio de nota, o grupo J&F afirmou que “os colaboradores já apresentaram informações e documentos à Procuradoria-Geral da República e continuam à disposição para cooperar com a Justiça.”

COM A PALAVRA, PAULO SKAF

Em nota, Paulo Skaf afirmou que “não recebeu nenhum tostão do Grupo JBS” na eleição de 2014. Afirmou ainda que todos os gastos e doações da campanha foram declarados à Justiça Eleitoral.