Duas Lava Jato em uma otimizam recursos, diz PF

Duas Lava Jato em uma otimizam recursos, diz PF

Delegado nega que faltem verbas para investigações e que 43.ª e 44.ª fases foram deflagradas no mesmo dia por questão operacional

Fernanda Yoneya e Fausto Macedo

19 Agosto 2017 | 05h05

A deflagração de duas fases da Operação Lava Jato no mesmo dia foi uma forma de “otimização dos recursos”, segundo o delegado da Polícia Federal Igor Romário de Paula, chefe das investigações em Curitiba. A 43.ª e 44.ª fases, batizadas de Abate e Sem Fronteiras, foram colocadas na rua de forma conjunta nesta sexta-feira, 18.

“Quando falo em otimização dos recursos, não é porque eles faltaram. Não houve ordem para limitar recursos ou faltou recurso, e a gente foi obrigado a fazer ao mesmo tempo”, afirmou o delegado, em entrevista em que foi divulgado o balanço das operações.

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O ex-deputado Cândido Vaccarezza (ex-PT-SP) foi alvo de mandado de prisão expedido pelo juiz federal Sérgio Moro na Operação Abate. O ex-parlamentar, que foi líder dos governos Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, é investigado pelo recebimento de cerca de US$ 500 mil em propina.

“Nós estamos trabalhando numa perspectiva de que os recursos para o Ministério da Justiça, assim como para todos os ministérios, estão escassos, e a gente tem que, usando um jargão antigo, fazer mais com menos.”

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O delegado garantiu que havia recursos para fazer as duas fases no mesmo dia, mas as duas investigações estavam em pontos semelhantes “quanto ao ponto de deflagração”. “Foi uma opção usar o nosso efetivo para cumprir e transformar tudo em uma viagem só”, afirmou.

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Segundo Igor Romário de Paula, a ideia de transformar as duas operações em uma foi para “usar o pessoal uma vez só”. “Não houve restrição orçamentária, foi uma iniciativa aqui da administração para poder fazer e gastar o mínimo de atenção nos próximos meses.”

“Operacionalmente, é mais fácil tratar as operações juntas”, disse o delegado da PF Filipe Hille Pace.

COM A PALAVRA, O ADVOGADO MARCELLUS FERREIRA PINTO, QUE DEFENDE CÂNDIDO VACCAREZZA

“A defesa de Cândido Vaccarezza, por meio do advogado Marcellus Ferreira Pinto, esclarece, em nota, que: Cândido Vaccarezza nunca intermediou qualquer tipo de negociação entre empresas privadas e a Petrobrás. A prisão foi decretada com base em delações contraditórias, algumas já retificadas pelos próprios delatores. A busca e apreensão excedeu os limites da decisão judicial, confiscando valores declarados no imposto de renda e objetos pertencentes a terceiros sem vínculo com a investigação. A defesa se manifestará nos autos e espera que a prisão seja revogada e as demais ilegalidades corrigidas!”