Dualidade

Dualidade

João Linhares*

11 de janeiro de 2022 | 06h00

João Linhares Júnior. FOTO: ARQUIVO PESSOAL

O ódio, contratado por seus parceiros milicianos

para assassinar o amor,

arquitetou uma emboscada.

Nenhuma piedade e muita dor

estavam nos seus planos.

Fingindo-se crente em Deus

e defensor da “família, dos bons costumes e da moral”,

levou consigo uma arma adrede preparada.

Com ela, daria à vítima o derradeiro adeus.

Ele adora arma,

sobretudo fuzil ou algo ainda mais letal!

O amor, sempre benevolente

e sem maldade,

ao ver o ódio, foi ao seu encontro,

sorrindo, abraçar-se a ele candidamente,

com humildade;

o algoz o achou um tonto

e lhe deu um tiro à queima-roupa.

Ouviu-se um estouro!

O ódio saiu pulando de euforia.

Trouxa!

Mal ele sabia

que o amor é imorredouro,

não busca vingança,

apenas justiça.

E que, com esta, tem uma indelével aliança.

*João Linhares, integrante da Academia Maçônica de Letras de MS. Promotor de Justiça desde 2000. Mestre em Garantismo e Processo Penal pela Universidade de Girona, Espanha. Especialista em Jurisdição Constitucional e Direitos Fundamentais pela PUC – RJ

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