Dossiê Barusco revela universo de propinas na Petrobrás

Dossiê Barusco revela universo de propinas na Petrobrás

Planilhas entregues por delator à força-tarefa da Lava Jato indicam desvios sobre 87 contratos no valor global de R$ 86,5 bilhões, entre 2003 e 2011

Redação

06 Fevereiro 2015 | 05h00

Por Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, Julia Affonso, Fausto Macedo e Mateus Coutinho

Quatro planilhas entregues pelo ex-gerente da Petrobrás Pedro Barusco à força-tarefa da Operação Lava Jato indicam, à Justiça, o universo de pagamento de propinas na estatal.O dossiê Barusco revela que os desvios ocorreram entre 2003 e 2011, durante os dois primeiros governos do ex-presidente Lula e o primeiro ano da gestão Dilma Rousseff, ambos do PT.

Naquele período, segundo registra o documento, a estatal firmou 87 contratos em valores globais de R$ 47,1 bilhões e US$ 12,92 bilhões (R$ 35,4 bilhões, pela cotação desta quinta-feira, 5). Esses contratos foram firmados no âmbito da Diretoria de Serviços. Barusco foi gerente executivo dessa área estratégica pela qual passam todas as licitações da companhia.

Pedro Barusco. Foto: Divulgação

Pedro Barusco. Foto: Divulgação

Ele firmou um termo de delação premiada com o Ministério Público Federal em novembro de 2014. Seus relatos abriram a caixa-preta da corrupção na maior estatal do País e provocaram a deflagração da Operação My Way, nona fase da Lava Jato, nesta quinta-feira, 5. Os alvos principais da My Way são dois medalhões petistas, o tesoureiro do partido, João Vaccari Neto, e o ex-diretor de Serviços da Petrobrás Renato Duque.

Metódico, o delator impressionou os investigadores por sua disciplina e organização. Braço direito de Renato Duque, ele lançava em seu computador dados relativos a cada contrato, incluindo datas, valores dos negócios e quanto cabia a cada beneficiário da máquina de propinas.

As anotações do delator mostram que os anos mais férteis do esquema foram 2007 e 2008 (dois primeiros anos do segundo mandato de Lula), com um total de 48 contratos sobre os quais teriam sido pagos valores ilícitos. Em 2007, foram 25 contratos. Em 2008, 23.

O negócio de maior magnitude, de acordo com o dossiê Barusco, foi celebrado em 26 de fevereiro de 2010, no valor de US$ 3,7 bilhões, para aquisição de 8 cascos do pré-sal. Sobre este montante, o delator dividiu com Duque, segundo suas declarações, o equivalente a 0,5%, ou aproximadamente US$ 37 milhões, US$ 18,5 milhões para cada um.

 

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