Doria vê ‘crime de resistência’ e pede Polícia para investigar ativista da Frente Brasileira Conservadora

Doria vê ‘crime de resistência’ e pede Polícia para investigar ativista da Frente Brasileira Conservadora

Engenheiro Antônio Carlos Bronzeri publicou vídeo incentivando a população de São Paulo a descumprir medidas de isolamento social do governador; no fim de semana, ele foi preso durante manifestação na frente da casa do ministro Alexandre de Moraes

Paulo Roberto Netto

05 de maio de 2020 | 07h30

O governador de São Paulo João Doria (PSDB) apresentou notícia-crime contra o engenheiro Antônio Carlos Bronzeri por avistar indícios de ‘crime de resistência’ e difamações em vídeo publicado pelo ativista da Frente Brasileira Conservadora no Youtube. Neste fim de semana, Bronzeri foi detido durante manifestação na frente da casa do ministro Alexandre de Moraes, na capital paulista.

Bronzeri publicou uma gravação após carreatas pela reabertura do comércio em São Paulo para agradecer os participantes. No vídeo, ele pede que as pessoas lhe contatem caso tenham qualquer empecilho caso queiram abrir suas lojas, incluindo aquelas de serviços não essenciais. O ativista afirma que impediria o trabalho de fiscais do governo, que seriam enxotados a pontapés.

“Vamos lutar para segunda-feira todo o comerciante tenha o seu estabelecimento aberto e nós vamos brigar também e colocar isso de forma contundente que todo e qualquer comerciante que tiver algum problema ligar para nós, ter nós como o seu ponto de apoio para que a gente vá e tire o vagabundo que estiver entrando no estabelecimento comercial dele e vamos dar um aviso que os fiscais que estiverem nas ruas, quando nós estabelecermos que nós estamos decretando a abertura do comércio a partir de segunda-feira para que todos os dias úteis o comerciante consiga sobreviver, quem tiver fiscal vagabundo na sua loja, nós vamos arrancar o cara de lá a pontapé, vamos pegar o talão de multa dele e vamos fazer ele engolir o talão de multa e vamos tacar fogo”, disse Bronzeri.

O advogado Fernando José da Costa, que defende o governador, alega ter visto ‘crime de resistência’ nas declarações, visto que decretos estaduais restringem a abertura de serviços apenas para aqueles considerados essenciais. A medida foi adotada para reduzir o contágio pelo novo coronavírus no Estado, epicentro da covid-19 no País.

“Incita-se que pessoas se oponham à execução de ato legal, qual seja, a fiscalização do cumprimento pelos estabelecimentos comerciais da medida de quarentena, mediante violência a funcionário competente para executá-lo, no caso, o fiscal que comparecer ao estabelecimento”, afirmam os advogados de Doria.

O governador de Sâo Paulo João Doria. Foto: Governo de SP / Divulgação

A incitação ao crime de resistência fica ‘ainda mais evidente quando Bronzeri diz que queimaria os talões de multa dos fiscais, ‘sinalizando um ato de violência que será empregado’.

A defesa do tucano também pede apurações sobre crime de difamação. No vídeo, o ativista chama Doria de ‘canastrão’, ‘vagabundo’ e ‘psicopata’.

“É certo que tais palavras são manifestamente atentatórias à honra objetiva do peticionário (Doria), denegrindo a sua reputação. Ainda, ao difamar o peticionário, o noticiado não não ofendeu apenas a João Agripino da Costa Doria Júnior enquanto indivíduo, mas também sua reputação enquanto atual governador, ex-prefeito, gestor e empresário, esposo e pai de família, desprezando e descreditando toda a sua trajetória pessoal e profissional”, afirmam os advogados.

No sábado, 2, um grupo de 20 manifestantes utilizaram um megafone, com carros parados na calçada da rua da residência do ministro Alexandre de Moraes em São Paulo, para chamar o magistrado de ‘comunista’ e que ele teria ‘medo do Ramagem’.

Bronzeri foi detido pela Polícia Civil durante o ato e pode ser alvo de processos por ameaça, calúnia, injúria e difamação. Alexandre de Moraes não comentou o caso.

COM A PALAVRA, O ENGENHEIRO ANTÔNIO CARLOS BRONZERI
A reportagem procura contato com o engenheiro Antônio Carlos Bronzeri. O espaço está aberto a manifestações (paulo.netto@estadao.com)

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