Dono da UTC diz que passou propina a Dirceu ‘por mera liberalidade’

Dono da UTC diz que passou propina a Dirceu ‘por mera liberalidade’

Ricardo Pessoa disse que foi procurado pelo irmão do ex-ministro da Casa Civil após a condenação no mensalão e que aceitou ajudar os dois

Mateus Coutinho, Julia Affonso e Ricardo Brandt

10 Novembro 2015 | 14h21

Ricardo Pessoa. Foto: Reprodução

Ricardo Pessoa. Foto: Reprodução

Em depoimento ao juiz Sérgio Moro nesta segunda-feira, 9, o dono da UTC e delator da Lava Jato, Ricardo Pessoa afirmou que repassou R$ 1,7 milhão para o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu em um contrato de fachada “por mera liberalidade”. Na audiência desta segunda, o empreiteiro pediu para não ter sua imagem gravada e por isso não apareceu nos vídeos.

A quantia era referente a dois aditivos de um contrato da UTC com a empresa de consultoria JD Assessoria, que Dirceu também utilizou para lavar dinheiro da propina na Petrobrás. Firmado no fim de 2012 por R$ 1,48 milhão, o contrato previa a prospecção de negócios para a empreiteira no Peru. Pessoa explicou a Sérgio Moro que a prospecção foi feita e trouxe resultados para a empresa, mas que, após o fim do contrato, que durou um ano, o irmão de Dirceu, Luis Eduardo Oliveira e Silva, o procurou para pedir dinheiro.

VEJA O DEPOIMENTO DE PESSOA AO JUIZ SÉRGIO MORO:

“Foram doze parcelas e depois o Luis Eduardo (irmão de Dirceu) foi lá e me pediu mais um aditivo de mais 12 parcelas que deu R$ 906 mil que eu aceitei. E na verdade metade dele (do contrato) ainda existia prospecção”, disse o empreiteiro afirmando que parte do aditivo envolveu ainda alguma prestação de serviços. “E depois ele (Luis Eduardo) me fez um outro pedido que eu por mera liberalidade minha, sem nenhuma prestação de serviços, fiz mais um aditivo de R$ 840 mil”, contou o delator.

Pessoa ainda confirmou que na época em que foi feito o segundo pedido de aditivo Dirceu já havia sido condenado pelo mensalão e seu irmão lhe disse que eles estavam com dificuldade financeira. Depois do pedido, o delator contou que pediu a Vaccari, responsável pelas propinas recebidas pelo PT no esquema na Petrobrás, para descontar a quantia repassada a Dirceu da propina devida para a sigla e o ex-tesoureiro do PT aceitou.