Doleiro quer acesso a documentos da Lava Jato

Apontado como operador de propinas para a Odebrecht, Bernardo Freiburghaus juntou diploma de universidade aos autos da investigação sobre corrupção na Petrobrás para comprovar vínculo com a Suíça

Redação

04 de julho de 2015 | 05h00

Registro de Freiburghaus na Interpol. Foto: Reprodução

Nome de Freiburghaus foi retirado da lista vermelha da Interpol. Foto: Reprodução

Por Julia Affonso e Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, e Fausto Macedo

A defesa do doleiro Bernardo Freiburghaus, apontado como operador de propinas e lavagem de dinheiro para a Odebrecht, pediu nesta sexta-feira, 3, acesso a documentos da Operação Lava Jato. Na mesma petição, a advogada Fernanda Telles, que o representa, anexou cópia de um histórico escolar da Universidade de Genebra, na Suíça, onde ele mora.

“O requerente aproveita o ensejo para reiterar sejam disponibilizados todos os documentos relacionados à solicitação de assistência jurídica internacional à Suíça, em seu nome, consoante pedido formulado, em 12 de maio de 2015, do presente procedimento; e sejam disponibilizados os documentos que embasaram a inclusão do nome do requerente na lista vermelha da Interpol”, pede a advogada.

Freibughaus foi um dos alvos da fase My Way, da Lava Jato, que mirou operadora de propinas e foi deflagrada no dia 5 de fevereiro. O doleiro é um dos investigados que teve mandado de condução coercitiva decretado pela Justiça Federal. A Polícia Federal esteve nos endereços indicados nos mandatos, mas não o encontrou e nem sua empresa. Ele nega ser operador de propinas.

“Contra o requerente, que sequer teve a oportunidade de ser ouvido, foi determinada a sua captura pela Interpol, ou seja, vem sendo tratado como foragido da Justiça”, aponta a advogada de Freiburghaus.

Segundo a advogada, ele ‘tomou ciência de que era investigado’ na deflagração da My Way, quando ‘há muito havia fixado residência na Suíça’. Na época, o nome do doleiro chegou a ser incluído na difusão vermelha da Interpol, a Polícia Internacional que mantém representação em 181 países. A lista vermelha é o alerta máximo da Interpol e limita os deslocamentos do alvo.

“O requerente sempre manteve vínculos com a Suíça, terra natal de seu genitor, onde o requerente residiu por quase 12 anos, período em que inclusive cursou Ciências Econômicas, Sociais e Financeiras na Faculty of Economic and Social Sciences, na Université de Genève, Suíça”, diz a petição da advogada, acompanhada do histórico escolar.

O nome de Freiburghaus foi retirado da lista vermelha da Interpol no fim de junho. Ele é suspeito de ter aberto e operado contas no exterior para o ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa – entre elas a que teria servido para recebimento de US$ 23 milhões da construtora Norberto Odebrecht. Primeiro delator da Lava Jato, Costa afirmou em sua delação premiada em setembro do ano passado que a empreiteira fez depósitos de propinas “a cada dois ou três meses” em suas contas no exterior entre 2008 e 2013.

Costa foi um dos homens fortes dos quadros da Petrobrás até 2012, quando se aposentou. Depois disso, montou a Costa Global, empresa que usava para consultorias e recebimentos das propinas pendentes. Segundo descobriu a Lava Jato, PT, PMDB e PP cobravam de 1% a 3% do total dos contratos de empreiteiras, por meio de diretores indicados politicamente aos cargos.

A Odebrecht nega envolvimento com o cartel de empreiteiras na Petrobrás e afirma que jamais pagou propinas.

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