Doleiro quer acareação com acusador do PSDB

Defesa de Alberto Youssef afirma que dono do Labogen, Leonardo Meirelles, está mentindo ao dizer que ele 'trabalhou' para tucanos

Redação

22 de outubro de 2014 | 14h13

Por Ricardo Brandt e Fausto Macedo

A defesa de Alberto Youssef desafiou nesta quarta-feira, 22, Leonardo Meirelles, apontado como “testa de ferro” do doleiro no laboratório Labogen, a provar o envolvimento do PSDB no esquema de corrupção da Petrobrás desbaratado pela Operação Lava Jato da Polícia Federal.

O criminalista Antônio Figueiredo Basto, que defende Youssef, afirmou que seu cliente está disposto a fazer uma acareação com Meirelles, colocando-se frente a frente com o juiz federal Sérgio Moro, da 13.ª Vara Federal, em Curitiba, no processo criminal que apura superfaturamento e desvios nas obras da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco.

A obra da Petrobrás, iniciada em 2008 e ainda não concluída, teve superfaturamento já constatado. “Meu cliente afirma peremptoriamente que nunca falou com Sérgio Guerra, nunca teve negócio com ele e nunca trabalhou para o PSDB”, afirmou Basto. “Estamos pedindo uma impugnação do depoimento do Leonardo e uma acareação entre eles.”

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Em depoimento prestado na segunda-feira à Justiça Federal no Paraná, Meirelles afirmou que o doleiro trabalhou, dentro do esquema da Petrobrás, também para o PSDB, além de PT, PMDB e PP, partidos governistas que haviam sido apontados por Youssef e pelo ex-diretor da estatal Paulo Roberto Costa.

Meirelles disse ainda ter presenciado uma conversa telefônica de Youssef na qual o ex-presidente do PSDB Sérgio Guerra era mencionado. Guerra, que morreu em março deste ano, é suspeito de ter recebido R$ 10 milhões do esquema quando era senador a fim de ajudar enterrar uma CPI que funcionou em 2009 no Congresso e tinha a estatal como alvo.

A Queiroz Galvão é suspeita de ter feito o pagamento. A empreiteira faz parte do Consórcio C II Ipojuca Interligações, contratado por R$ 2,7 bilhões para implantar as tubulações na Abreu e Lima que transportam produtos entre as unidades. A construtora negou qualquer irregularidade e disse que todas as doações são feitas dentro da lei.

A acusação foi feita por Costa no âmbito da delação premiada ao Ministério Público Federal. No caso de Meirelles, a referência ao PSDB foi feita após seu advogado, Haroldo Nater, questionar sobre o envolvimento de outras legendas no esquema além de PT, PMDB e PP.

O homem apontado como “testa de ferro” de Youssef afirmou ainda que haveria um segundo tucano envolvido no esquema, além de Guerra. Ele não citou o nome deste político porque o processo da Lava Jato no Paraná é de 1.º instância, portanto não tem competência para investigar parlamentares.

Mas Meirelles, que é réu na ação, disse se tratar de alguém que é conterrâneo do doleiro. Foi uma referência indireta a Álvaro Dias, senador reeleito do PSDB que fez a carreira política em Londrina, no interior paranaense, cidade natal de Youssef. Dias, que integrava a CPI da Petrobrás que funcionou em 2009, nega manter qualquer relação com o doleiro.

Posteriormente, ainda durante a oitiva de segunda-feira, seu advogado perguntou especificamente sobre a ligação com Guerra. Foi então que respondeu ter presenciado uma conversa de Youssef em que ele citou ao telefone o ex-presidente do PSDB. “Em uma das ocasiões eu estava na sala, teve um contato telefônico do Alberto Youssef quando do qual surgiu o nome (Sérgio Guerra). Faltava um ajuste, alguém não estava reclamando, estava atribuindo alguma coisa que não estava acontecendo, que não estava caminhando em virtude do que tinha uma coisa do passado que estava parado”, disse Meirelles.

No pedido do advogado de Youssef, anexado nesta quarta ao processo, o criminalista afirma que o documento visa a “repudiar na integralidade o depoimento de Meirelles, vez que este não corresponde à realidade dos fatos ora processados”. Segundo o advogado do doleiro, Youssef está à disposição da Justiça “para o esclarecimento dos pontos contraditórios e conflitantes existentes entre as suas (doleiro) declarações e as que foram realizadas por Meirelles”.

Na terça, a defesa de Youssef já havia apontado estranhamento com o depoimento de Meirelles. O advogado do doleiro falou em  “ influência estranha” no processo e em “ interesse eleitoral”. No pedido formalizado nesta quarta, o criminalista ressalta que seu cliente depôs sob juramento de dizer a verdade. “Enquanto Meirelles falou na qualidade de acusado, descompromissado com a veracidade de suas alegações”.

Meirelles é oficialmente dono do Labogen, um laboratório que, segundo a Polícia Federal, é de propriedade, na verdade, de Youssef – que estava prestes a assumir formalmente o negócio. O Labogen tinha plano de atuar em contratos da Petrobrás para o fornecimento de insumos. A suspeita é que o intermediador do negócio era o deputado federal André Vargas, que foi expulso do PT após ter o nome envolvido no caso. Vargas nega irregularidades na transação.

Tucanos. O PSDB defendeu mais uma vez em nota que o caso seja investigado. “O PSDB defende que todas as denúncias sejam investigadas com o mesmo rigor, independente da filiação partidária dos envolvidos.”

Dias voltou a dizer que a oposição fez um relatório paralelo com 18 representações ao procurador-geral da República sobre irregularidades na Petrobrás, em 2009, após concluir que o governo não deixaria a CPI fazer investigações.

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