Doleiro nega extorsão a donos de empreiteiras

Advogado de Alberto Youssef diz que versão de empresários 'é estratégia'

Redação

20 de novembro de 2014 | 21h25

Por Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba

A defesa do doleiro Alberto Youssef, alvo da Operação Lava Jato, negou nesta quinta feira, 20, que ele tenha extorquido dinheiro de empreiteiras para pagar propinas a políticos. O vice-presidente da Mendes Jr., Sérgio Mendes, declarou à Polícia Federal na terça-feira, 18, que depositou R$ 8 milhões nas contas das empresas do doleiro. Segundo ele, Youssef agia em nome do ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás, Paulo Roberto Costa.

“Não existe extorsão. Isso tudo é uma estratégia”, reagiu o criminalista Antônio Figueiredo Basto, que defende Youssef.

O doleiro está preso desde abril na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, base da Lava Jato. Ele aceitou fazer delação premiada e apontou políticos, agentes públicos e empreiteiras que usaram sua lavanderia de dinheiro ilícito.

Outro advogado de Youssef, Tracy Reinaldet, afirmou que a acusação dos empreiteiros é inconsistente. “Alberto Youssef nunca fez extorsão de dinheiro contra quem quer que seja.”

Investigadores acreditam que está em curso uma estratégia da defesa de alguns empreiteiros citados na Operação Juízo Final, sétima fase da Lava Jato, para neutralizar o peso das acusações dos principais delatores do esquema de propinas e corrupção na Petrobrás – Youssef e Paulo Roberto Costa.

Para os investigadores, a versão dos empresários de que foram alvo de exigências de propinas para ter contratos firmados ou mantidos com a estatal petrolífera pode ser uma forma de tentar enfraquecer as denúncias e inverter os papéis – neste caso, eles passariam de corruptores a vítimas da ação do ex-diretor de Abastecimento e de Youssef.

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