Doleiro diz ter operado ‘caixa 2’ da Andrade Gutierrez fora do esquema na Petrobrás

Alberto Youssef disse em audiência na Justiça Federal na Paraná que teria movimentado irregularmente US$ 600 mil da empreiteira sem relação com a estatal

Redação

31 Março 2015 | 15h01

Por Mateus Coutinho, Ricardo Brandt e Julia Affonso

Em novo depoimento à Justiça Federal no Paraná nesta terça-feira, 31, o doleiro Alberto Youssef afirmou que, além de operar propinas da empreiteira Andrade Gutierrez no esquema de desvios na Petrobrás, também operou US$ 600 mil do Caixa 2 da empresa às vésperas de ser pego na Lava Jato.

Segundo o delator, a movimentação teria sido realizada no final de 2013 e início de 2014 e atendido inclusive a um pedido da diretoria da empreiteira na Venezuela. “Foi uma operação de US$ 300 mil que mandei para a DGX (conta utilizada pelo doleiro no exterior) e duas operações de US$ 150 mil, que não têm nada a ver com a Petrobrás”, relatou.

“Foi uma operação de caixa dois que foi feito para a Andrade (Gutierrez) e foi falado com um representante dela que me pediu que fizesse isso, que foi o seu Flávio Magalhães e o diretor da Andrade na Venezuela o sr Alberto”, continuou o doleiro.

A Andrade Gutierrez não tem nenhum executivo preso e também não é alvo de nenhuma ação penal da Lava Jato que corre na Justiça Federal no Paraná. A empreiteira, contudo, está na mira da força-tarefa da Lava Jato e é considerada uma das participantes do cartel que atuava na Petrobrás e que também pagava propinas no esquema de desvios montado na estatal para abastecer o caixa do PP, PMDB, e PT que indicavam as diretorias da estatal envolvidas no esquema.

VEJA O DEPOIMENTO DE YOUSSEF QUE CITA AS OPERAÇÕES DA ANDRADE GUTIERREZ:

O depoimento desta terça ao juiz Sérgio Moro, que conduz as ações da Lava Jato, foi realizado a pedido do próprio Yousef, e uma das ações penais nas quais ele é réu. Nesta ação específica, Youssef é acusado de evadir US$ 500 milhões entre 2009 e 2013 em conjunto com outros operadores do mercado negro.

Na ação, Youssef havia ficado calado quando foi chamado a depor pela primeira vez no ano passado, pois seu acordo de delação ainda não tinha sido homologado. Apesar de todas as testemunhas já terem sido ouvidas e as defesas já terem apresentado suas alegações finais (últimos argumentos antes da decisão do juiz), Moro acatou o pedido do doleiro e decidiu ouvir ele novamente nesta terça.

COM A PALAVRA, A ANDRADE GUTIERREZ.

“A Andrade Gutierrez nega que tenha mantido qualquer tipo de contato com o Sr. Alberto Youssef. Vale ressaltar, inclusive, que, em depoimentos anteriores, o Sr. Alberto Youssef já havia deixado claro que não tratava de qualquer assunto com a Andrade Gutierrez e seus executivos. A Andrade Gutierrez reitera, como tem feito desde o início da Operação Lava Jato, que não tem ou teve qualquer envolvimento com os fatos relacionados com as investigações em curso.”

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