Doleiro diz que ‘pau-mandado’ de Eduardo Cunha o intimida

Doleiro diz que ‘pau-mandado’ de Eduardo Cunha o intimida

Em depoimento ao juiz da Lava Jato, Alberto Youssef afirmou que sua família vem sofrendo após ele depor sobre propina em contratos de sondas e atribuiu atuação da CPI da Petrobrás ao presidente da Câmara

Redação

16 de julho de 2015 | 21h03

Alberto Youssef está preso desde março de 2014. Foto: Vagner Rosario/Futura Press

Alberto Youssef está preso desde março de 2014. Foto: Vagner Rosario/Futura Press

Por Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba

O doleiro Alberto Youssef, peça central da Operação Lava Jato, afirmou nesta quinta-feira, 16, em depoimento à Justiça Federal, em Curitiba, que está sendo intimidado pela CPI da Petrobrás e apontou como responsável indireto o nome do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

“Eu venho sofrendo intimidação perante as minhas filhas, perante minha esposa, por uma CPI coordenada por alguns políticos e que, inclusive, o nome de um deles foi mencionado aqui por mim”, afirmou Youssef.

Em depoimento ao juiz federal Sérgio Moro – que conduz os processos da Lava Jato – ele atacou Cunha e a CPI. “Eu acho isso um absurdo, eu como réu colaborador quero deixar claro que eu estou sendo intimidado pela CPI da Petrobrás por um deputado pau-mandado do seu Eduardo Cunha.” O doleiro não mencionou o nome do parlamentar da comissão a que se referia.

Youssef foi o primeiro delator a apontar o nome do presidente da Câmara para beneficiário de propina paga pelo lobista Julio Camargo, como representante de estaleiros asiáticos em contratos na Diretoria de Internacional da Petrobrás – área controlada pelo PMDB, segundo a Lava Jato.

Os dois contratos de navios-sonda, para exploração de petróleo, teria envolvido o pagamento de US$ 30 milhões em propina para a Diretoria de Internacional. Segundo o esquema desbaratado pela Lava Jato, parte dos valores da corrupção ficava com o agentes públicos indicados e operadores de propina, e outra parte ia para os políticos e partidos que davam sustentação ao esquema.

Nesta quinta-feira, pela primeira vez, Camargo confessou que foi pressionado pessoalmente por Cunha a pagar US$ 10 milhões em propinas atrasadas, em 2011, das quais US$ 5 milhões eram para o parlamentar.

Réus no mesmo processo sob a guarda do juiz federal Sérgio Moro, Youssef e Carmargo ligaram Cunha ao pagamento de propina nos contratos de dois navios-sonda fechado em 2006 e 2007, com o ex-diretor de Internacional Nestor Cerveró via Fernando Baiano – ambos ligados ao PMDB.

Youssef afirmou ao ser questionado por seu advogado de defesa afirmou que nunca usou nome de familiares em seus esquemas de lavagem de dinheiro e corrupção. “Nunca na minha vida utilizei nome da minha esposa, ex-esposa, das minhas filhas para que fizesse alguma operação ilícita.”

A CPI investiga se Youssef usou familiares para ocultar valores não declarados à Justiça Federal em seu acordo de delação premiada. Nele, o doleiro aceitou devolver aos cofres públicos seu dinheiro ilícito.

COM A PALAVRA, O DEPUTADO HUGO MOTTA

O presidente da CPI da Petrobrás, deputado federal Hugo Motta (PMDB-PB), negou qualquer intimidação.

“Não existe intimidação, mas sim uma investigação sendo feita com muita responsabilidade pela Câmara dos Deputados”, afirmou o presidente da CPI.

“Youssef pelo seu histórico de bandido não tem moral para cobrar nada de ninguém, a CPI está fazendo o seu trabalho investigativo e nada nos tirará o foco.”

Tudo o que sabemos sobre:

Alberto Youssefoperação Lava Jato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.