Doleiro diz que Maranhão, sucessor de Cunha, passava no escritório de propinas

Doleiro diz que Maranhão, sucessor de Cunha, passava no escritório de propinas

Alberto Youssef, delator da Lava Jato, afirmou em novembro de 2014 que presidente em exercício da Câmara 'recebeu valores' do esquema na Petrobrás

Julia Affonso, Mateus Coutinho, Ricardo Brandt e Fausto Macedo

08 de maio de 2016 | 11h00

Waldir Maranhão. Foto: Luís Macedo/Câmara dos Deputados

Waldir Maranhão. Foto: Luís Macedo/Câmara dos Deputados

O novo presidente da Câmara, deputado Waldir Maranhão (PP-MA), é alvo da Operação Lava Jato e da memória do doleiro Alberto Youssef, personagem central da investigação sobre esquema de corrupção que se instalou na Petrobrás entre 2004 e 2014. Um dos delatores-bomba da Lava Jato, Youssef listou Waldir Maranhão como um dos deputados que ‘eventualmente’ passavam em seu escritório, em São Paulo, ‘para conversar ou pegar a sua parte do comissionamento’.

Maranhão assume a presidência da Câmara interinamente por causa do afastamento do deputado Eduardo Cunha (PMDB/RJ), decretado pelo Supremo Tribunal Federal nesta quinta-feira, 5.

Alberto Youssef era controlador da GFD Investimentos, empresa de fachada por meio da qual o doleiro repassava propinas a políticos. A GFD ficava em São Paulo. Em um trecho de seu relato, o doleiro fez menção ao ex-deputado José Janene (PP/PR), morto em 2010, apontado como o mentor do esquema Lava Jato.

“Acredita que houvesse junto ao escritório da GFD alguma anotação acerca de valores repassados aos mencionados parlamentares, uma vez se tratando de um procedimento excepcional, sendo que os recursos entregues na sede da GFD eram de fato descontados daquilo que era mensalmente pago aos parlamentares; que isso era comunicado a José Janene e aos demais líderes para conhecimento”, disse Youssef.


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Documento

No dia 20 de novembro de 2014, o doleiro, em seu termo de colaboração 49, detalhou para a força-tarefa da Lava Jato, o suposto funcionamento da distribuição da propina oriunda do esquema da Petrobrás para o PP. Naquele mês, a Lava Jato, havia alcançado sua fase 7 (Juízo Final).

“Os valores até cerca de R$ 500 mil eram levados em espécie no corpo do declarante ou das pessoas que prestavam serviços a sua pessoa; que, para quantias maiores o declarante fretava aeronaves, sempre pagando em espécie e sem documentar a operação”, relatou Youssef.

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O doleiro colocou Waldir Maranhão em uma lista de deputados do PP que ele tinha ‘certeza de que receberam valores’.

“A distribuição do dinheiro iniciava com José Janene, o qual receberia a porção maior, por ser o organizador do esquema”, declarou Youssef. “A média de ingresso de receitas era de cerca de R$ 4 a 5 milhões; que, os demais parlamentares recebiam entre R$ 10 e 150 mil mensais conforme a sua força política dentro do partido; que os repasses eram feitos em espécie.”

De acordo com o depoimento de Youssef, não havia controle do dinheiro que entrava e o que repassava aos parlamentares.

Ele afirmou que o então diretor de Abastecimento da Petrobrás, Paulo Roberto Costa, e o assessor de Janene, João Claudio Genu, ficavam com uma parte do dinheiro. “Tão logo recebia esses valores o declarante repassava as comissões de Paulo Roberto e Genu e retirava a sua parte, entregando em seguida os recursos pertencentes ao Partido.”
COM A PALAVRA, O DEPUTADO WALDIR MARANHÃO

Waldir Maranhão nega que tenha recebido quaisquer benefícios indevidos, reitera que já prestou depoimento sobre o assunto e continua a disposição das autoridades para esclarecimentos.

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