Doleiro diz que ‘diminuiu propina’ de ex-líder de Lula na Câmara; assista ao vídeo

Alberto Youssef declarou, em audiência gravada pela Procuradoria, que reduziu valor para Cândido Vaccarezza (PT-SP), porque tirava de sua parte no esquema de corrupção na Petrobrás

Redação

19 de março de 2015 | 14h02

Foto: Dida Sampaio/Estadão

Cândido Vaccarezza. Foto: Dida Sampaio/Estadão

Por Julia Affonso, Fausto Macedo, Beatriz Bulla e Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba

O doleiro Alberto Youssef afirmou em delação premiada perante a força tarefa da Operação Lava Jato que a pedido do ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa “entregou alguns numerários” para o ex-deputado Cândido Vaccarezza (PT).”Tive relação com ele (Vaccarezza), sim. A pedido do Paulo Roberto Costa eu entreguei alguns numerários ao Cândido Vaccarezza. Foram 3 ou 4 vezes”, afirmou Youssef, em depoimento gravado pela Procuradoria da República.”

Segundo o doleiro, o ex-diretor da estatal lhe pediu que entrasse em contato com Vaccarezza porque estava dando uma ajuda para o petista. “Paulo Roberto pediu que eu tirasse dos valores que eu estava recebendo e entregasse ao deputado. Deveria retirar esses valores dos valores que eu retirava para o Partido Progressista.”

“Eu até o questionei. Mas ele falou: não tem como, tem que ajudar, tem que retirar dos valores que você recebe.”

VEJA O QUE O DOLEIRO FALA SOBRE VACCAREZZA A PARTIR DO MINUTO 41

Em outra fase do longo relato, Alberto Youssef disse. “Na verdade, o Paulo Roberto até tinha me pedido que eu entregasse um pouco mais e eu reduzi um pouco o valor. Se eu não me engano, ele tinha pedido para entregar R$ 300 mil, R$ 400 mil, alguma coisa assim. Eu interferi, dizendo que não tinha caixa para tanto e reduzi os valores.”

“Estive na casa dele (Vaccarezza) em São Paulo, se não me engano, no bairro da Mooca, para entregar valores que o Paulo Roberto Costa pediu que eu entregasse”, afirmou o doleiro. “Foram 3 ou 4 vezes de R$ 150 mil.”

Ele disse que “não se recorda a época da entrega”.

“Isso foi enquanto o Paulo Roberto estava na diretoria de Abastecimento. Isso deve ter acontecido entre 2010 e 2012, até quando ele saiu. Depois da morte do José Janene (ex-deputado, que morreu em 2010).”

“Ele (Paulo Roberto Costa) não vinculou esses valores a nada. A única coisa que ele me pediu foi o seguinte: me deu o número do telefone do deputado Cândido Vaccarezza”, relatou Youssef.

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O doleiro esclareceu como era o fatiamento da propina, incluindo um ex-assessor de Janene, João Cláudio Genu. “Eu recebia 100% e depois fazia o fatiamento: 30% pro PRC, 5% para mim, 5% para o Genu, os outros 60% iam para o Partido. Eu retirei do contexto global. Da receita, eu retirei aquele valor por alguns meses seguidos e entreguei ao deputado Vaccarezza.”

O doleiro disse que Paulo Roberto Costa “não vinculou (os pagamentos) a um fato específico, simplesmente falou que estava dando uma ajuda.”

Ele disse que fez as entregas de propinas pessoalmente ao ex-líder do PT na Câmara. A força tarefa perguntou ao doleiro se ele sabia de algum envolvimento de Vaccarezza com a Máfia do Asfalto – organização que agiu em quase uma centena de prefeituras no interior de São Paulo fraudando licitações. Youssef disse que nunca soube disso.

Ele afirmou que “tinha contato com Vaccarezza, conversava por BBM (Programa de conversa pelo celular)”.

Ele disse que não sabe por que Vaccarezza não pediu recursos para o caixa do PT. “Isso foi uma ajuda que o Paulo Roberto Costa deu ao Vaccarezza. Fui sozinho fazer as entregas.”

Na época em que seu nome foi ligado ao de Youssef, o ex-deputado rechaçou as alegações de recebimento de dinheiro por parte do doleiro e afirmou que o próprio Paulo Roberto Costa negou em sua delação que tenha mandado o doleiro fazer os repasses.

” Tudo isso é mentira, Youssef nunca entregou dinheiro na minha casa, ele diz com riqueza de detalhes que o Paulo Roberto Costa mandou ele entregar e Paulo Roberto diz que é mentira, que não mandou entregar”, afirmou em entrevista ao Estado. A reportagem não localizou o suposto depoimento de Costa que nega os repasses a Vaccarezza.

“Sou inocente e as acusações a mim são todas infundadas. Qualquer análise mais detida dos depoimentos vai dizer que são coisas ditas por terceiros, não tem nenhuma ligação telefônica, nenhum torpedo, nenhuma testemunha”, continuou o parlamentar.

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