Doleiro delator da Lava Jato vai poder ir à academia, mas de tornozeleira

Doleiro delator da Lava Jato vai poder ir à academia, mas de tornozeleira

Ao autorizar prisão domiciliar para Alberto Youssef, a partir de 17 de novembro, juiz Sérgio Moro impôs uma série de medidas

Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, Julia Affonso e Mateus Coutinho

21 de outubro de 2016 | 08h00

Alberto Youssef. Foto: Vagner Rosario/Futura Press

Alberto Youssef. Foto: Vagner Rosario/Futura Press

Dois anos e oito meses depois de ser capturado na Operação Lava Jato, o doleiro Alberto Youssef, delator que apontou o envolvimento de empreiteiros e políticos no grande esquema de corrupção instalado na Petrobrás entre 2004 e 2014, vai ganhar prisão domiciliar. Mas terá de cumprir uma série de medidas impostas pelo juiz federal Sérgio Moro, que conduz a Lava Jato em primeira instância judicial.

Youssef vai sair da carceragem da Polícia Federal no dia 17 de novembro – ele foi condenado em vários processos da Lava Jato, mas pelos termos do acordo de colaboração com o Ministério Público Federal recebeu pena máxima de três anos em regime fechado.

Personagem emblemático da Lava Jato, Youssef foi preso no dia de 17 de março, quando a operação foi deflagrada. Na ocasião também foi preso o engenheiro Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás. Os dois foram os primeiros delatores.

“Entendo que a utilização da tornozeleira eletrônica dispensa a escolta. Considerando que Alberto Youssef já terá cumprido a maior parte da pena fixada em regime fechado, parece improvável que intente fuga nos quatro meses remanescentes em prisão domiliciar”, assinalou Moro.

O juiz da Lava Jato dispensou escolta da Polícia Federal para vigiar os passos de Youssef. “Há custos com escolta que dificultariam a sua realização.”

Moro autorizou ‘a utilização pelo condenado de um terminal telefônico celular para eventuais emergências, considerando sua cardiopatia’.

O número do celular deverá ser informado ao juiz até dia 10 de novembro pela defesa. “Alerto que ficará ele sujeito a interceptação e apreensão pela autoridade policial, a qualquer momento, para exame”, advertiu Moro.

“De tal terminal, durante os quatro meses, ficam autorizadas apenas ligações de emergência e aos familiares autorizados a visitar o condenado.”

Comunicações por meio eletrônico ficam igualmente sujeitas à mesma restrição, impôs o juiz.

O doleiro terá autorização para se deslocar de seu apartamento residencial ‘até a academia do próprio prédio para sessões de fisioterapia’.

O juiz quer que o doleiro acate outras condições constantes do acordo de delação, como visitas restritas a defensores e familiares entre oito horas e meio dia..

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