Doleiro da Lava Jato diz que Vaccari foi a seu escritório

Youssef reafirma que mandou levar dinheiro na porta da sede do PT; doleiro declarou que valor foi repassado por multinacional

Redação

11 de maio de 2015 | 11h13

Youssef em depoimento à CPI da Petrobrás. Foto: Ricardo Brandt/Estadão

Youssef em depoimento à CPI da Petrobrás. Foto: Ricardo Brandt/Estadão

Por Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba

O doleiro Alberto Youssef confirmou à CPI da Petrobrás, em depoimento na manhã desta segunda-feira, 11, em Curitiba – base da Operação Lava Jato -, que o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto deve ter ido ao seu escritório no fim de 2013 ou início de 2014. Quando esteve na CPI da Petrobrás, no início de abril deste ano, Vaccari afirmou que havia ido ao escritório do doleiro, mas não o encontrou no local.

Youssef foi questionado se haveria convidado o ex-tesoureiro. “Não liguei para ele convidando para ir ao meu escritório. Pode ser que em encontros casuais em restaurantes, eu possa ter dito para ele ir ao meu escritório tomar um café”, afirmou aos parlamentares. “Era só para tomar um café.”

O delator disse que mandou entregar dinheiro para a cunhada do ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, Marice Corrêa de Lima, e também na sede do PT, em São Paulo. Essas informações Youssef já havia declarado à Justiça Federal e à força tarefa da Lava Jato. Questionado por parlamentares se ele havia operado propina com Vaccari, o doleiro – preso desde março de 2014 e acusado por corrupção ativa, lavagem de dinheiro e organização criminosa – corrigiu a informação da CPI.

“Nunca operei com Vaccari diretamente, fiz operação para a Toshiba (empresa investigada na Lava Jato) que diz que o dinheiro era direcionado para Vaccari.”

O doleiro, peça central da Lava Jato, afirmou que em duas vezes mandou entregar dinheiro que teria como destino o então tesoureiro do PT, preso pela Operação Lava Jato. Youssef afirmou que encontrou-se pessoalmente com Vaccari. “Estive com Vaccari em um restaurante. Uma vez ele esteve em meu escritório, mas eu não estava. O único repasse que eu fiz ao Vaccari foi por intermédio da Toshiba, eu já relatei.”

Integrantes da CPI da Petrobrás desembarcaram em Curitiba para ouvir os depoimentos de 13 acusados de envolvimento no esquema de cartel e corrupção na Petrobrás, que estão presos. Entre eles os ex-deputados André Vargas (ex-PT, hoje sem partido), Pedro Corrêa (PP) e Luiz Argolo (ex-PP, hoje no SD). Youssef é o primeiro a ser ouvido nesta manhã de segunda-feira, por um grupo de 14 deputados federais da comissão, que tem audiências marcadas até amanhã.

Estão marcados para hoje os depoimentos do ex-diretor de Internacional Nestor Cerveró e do lobista Fernando Antônio Falcão Soares, o Fernando Baiano ligados ao PMDB no esquema de loteamento político na estatal, que envolvia ainda PT e PP. de Mário Góes, de Guilherme Esteves e de Adir Assad, outros três lobistas acusados de operarem propina na Diretoria de Serviços – que era cota do PT – também estão nessa lista.

Amanhã serão ouvidos os depoimentos dos ex-deputados. Eles estão na carceragem do Centro Médico Prisional, na Região Metropolitana de Curitiba. Os interrogatórios serão realizados no auditório da Justiça Federal, em Curitiba. Um grupo de 14 deputados já estão na capital paranaense para início dos interrogatórios, a partir das 9h de hoje.

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