Doleiro da Lava Jato diz na CPI que ‘outro delator’ vai esclarecer investigação sobre Palocci

Doleiro da Lava Jato diz na CPI que ‘outro delator’ vai esclarecer investigação sobre Palocci

Alberto Youssef afirmou a deputados, durante acareação com ex-diretor da Petrobrás, que episódio envolvendo repasse de R$ 2 milhões para campanha de Dilma, em 2010 será esclarecido 'em breve'

Redação

25 de agosto de 2015 | 17h15

Antônio Palocci. Foto: Dida Sampaio/Estadão

Antônio Palocci. Foto: Dida Sampaio/Estadão

Atualizada às 19h13

Por Mateus Coutinho

Em acareação na CPI da Petrobrás nesta terça-feira, 25, o doleiro Alberto Youssef afirmou que um outro delator da Lava Jato vai esclarecer “em breve” o episódio envolvendo o suposto repasse de R$ 2 milhões da cota do PP no esquema ao ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci (Governo Lula) para a campanha de Dilma Rousseff à Presidência em 2010.

“Vou me reservar ao silêncio porque existe uma investigação nesse assunto do Palocci e logo vai ser revelado”, respondeu o doleiro ao ser questionado pelo relator da comissão, deputado Luiz Sérgio (PR-RJ) sobre o episódio. O doleiro, contudo, negou ter conhecido Palocci e que o repasse de R$ 2 milhões foi destinado à campanha de Dilma. “Eu não conheço o Palocci, não conheço o assessor, nem o irmão e ninguém fez pedido a mim para que eu arrebanhasse recurso para a campanha da Dilma de 2010”, afirmou o doleiro.

Acareação entre Youssef e Costa. Foto: André Dusek/Estadão

Acareação entre Youssef e Costa. Foto: André Dusek/Estadão

Na acareação, o doleiro da Lava Jato afirmou. “Tem outro réu-colaborador que está falando. Eu não fiz esse repasse. Assim que essa colaboração for divulgada, vocês vão saber quem pediu e quem repassou os recursos.”

Seu depoimento destoa da versão do ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa, que afirmou ter sido avisado por Youssef na época que o repasse de R$ 2 milhões da cota do PP no esquema da Petrobrás seria para a campanha de Dilma em 2010 a pedido de Antônio Pallocci.

Na acareação desta tarde durante a sessão da CPI na Petrobrás ambos mantiveram suas versões, dadas em depoimentos ao Ministério Público Federal no ano passado, mas o doleiro sinalizou que o caso será esclarecido em breve e que há um novo delator colaborando com as investigações sobre isso.

A investigação sobre Antonio Palocci está sendo realizada pela força-tarefa do Ministério Público Federal, com base no Paraná.

Pessoas próximas do ex-ministro avaliaram positivamente o relato do doleiro na CPI. Esses interlocutores de Palocci consideram que Youssef quis dizer que os fatos serão ‘devidamente esclarecidos no sentido de que não houve o pedido (de R$ 2 milhões por parte do ex-ministro)’.

Para os aliados de Palocci, o doleiro foi categórico ao dizer que ‘não conhece Palocci, nunca lhe pediu nada, não conhece nenhum assessor do Palocci’.

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