Doleiro aponta suposto pagamento à agência a mando de Gabrielli

Segundo Alberto Youssef, o valor foi pago por ordem de ex-presidente da Petrobrás, que teria sido acionado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT); petista não vai se manifestar

Redação

11 de maio de 2015 | 11h10

Youssef em depoimento à CPI da Petrobrás. Foto: Ricardo Brandt/Estadão

Youssef em depoimento à CPI da Petrobrás. Foto: Ricardo Brandt/Estadão

Atualizada às 18h13

Por Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba

O doleiro Alberto Youssef afirmou à CPI da Petrobrás nesta segunda-feira, 11, em Curitiba, que PT e PP dividiram uma propina de R$ 6 milhões que teria sido paga a uma agência, a Muranno Marketing Brasil, em 2010, a pedido do ex-diretor de Abastecimento da estatal Paulo Roberto Costa.

“O Paulo Roberto Costa passou para que eu procurasse a Muranno e outra agência para que pagasse”, explicou Youssef, ouvido no Paraná, onde está preso desde março do ano passado.

Youssef já havia relatado esse capítulo do esquema de corrupção na Petrobrás em depoimento à força-tarefa da Operação Lava Jato, em 2014. Segundo o doleiro, o valor pago para a Muranno foi uma ordem do ex-presidente da Petrobrás José Sérgio Gabrielli, que teria sido acionado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O ex-presidente não vai se manifestar sobre o relato do doleiro.

Youssef revelou ainda que quase a totalidade dos R$ 7 milhões que a Muranno e outra agência de publicidade do Rio tinham a receber foi paga com dinheiro de propina. Segundo ele, quem pagou a parte do PT foi o lobista Julio Camargo, representante no Brasil do Grupo Mitsui.

“Em determinado momento, Julio Camargo fez os repasses da parte da conta do PT.”

Segundo ele, “o doutor Paulo Roberto disse que o total foi R$ 6 milhões e pouco e o PT teria que dividir, R$ 3 milhões era o PT que pagaria e R$ 3 milhões era o PP”. A Muranno apareceu no rastreamento de valores da empresa MO Consultoria, uma das usadas na lavanderia de Youssef. Os delatores explicaram que o valor era referente a uma extorsão que seria feita pelo dono da Muranno, Ricardo Villani, para que valores atrasados a receber da Petrobrás fossem pagos.

A Muranno prestou serviços para a Petrobrás, em provas da Fórmula Indy, nos Estados Unidos sem contrato. De R$ 7 milhões que ela teria a receber, parte não foi paga e o dono estaria cobrando o pagamento.

Integrantes da CPI da Petrobrás desembarcaram em Curitiba para ouvir os depoimentos de 13 acusados de envolvimento no esquema de cartel e corrupção na Petrobrás, que estão presos. Entre eles os ex-deputados André Vargas (ex-PT, hoje sem partido), Pedro Corrêa (PP) e Luiz Argolo (ex-PP, hoje no SD). Youssef é o primeiro a ser ouvido nesta manhã de segunda-feira, por um grupo de 14 deputados federais da comissão, que tem audiências marcadas até amanhã.

Estão marcados para hoje os depoimentos do ex-diretor de Internacional Nestor Cerveró e do lobista Fernando Antônio Falcão Soares, o Fernando Baiano ligados ao PMDB no esquema de loteamento político na estatal, que envolvia ainda PT e PP. de Mário Góes, de Guilherme Esteves e de Adir Assad, outros três lobistas acusados de operarem propina na Diretoria de Serviços – que era cota do PT – também estão nessa lista.

Amanhã serão ouvidos os depoimentos dos ex-deputados. Eles estão na carceragem do Centro Médico Prisional, na Região Metropolitana de Curitiba. Os interrogatórios serão realizados no auditório da Justiça Federal, em Curitiba. Um grupo de 14 deputados já estão na capital paranaense para início dos interrogatórios, a partir das 9h de hoje.

COM A PALAVRA, JOSÉ SÉRGIO GABRIELLI.

“Não tenho o que acrescentar ao já afirmado inúmeras vezes:

1. O senhor Alberto Yousseff, que nunca encontrei, diz que o ex diretor Paulo Roberto lhe disse que teria havido esta decisão. Não há nenhuma afirmação direta dele a meu respeito.

2. Nunca tive esta conversa com o senhor Paulo Roberto e muito menos com o ex-Presidente Lula.

3. Só passei a ouvir falar desta empresa depois das denúncias. Nunca tive contato direto com ela e seu objeto dos serviços não eram da alçada da Presidência.”

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