Bruno Farina, sócio do ‘doleiro dos doleiros’ Dario Messer, preso no Paraguai

Bruno Farina, sócio do ‘doleiro dos doleiros’ Dario Messer, preso no Paraguai

Operação da Interpol capturou Bruno Farina no Paraná Country Club, no distrito de Hernandarias

Julia Affonso e Fausto Macedo

27 de dezembro de 2018 | 11h29

Bruno Farina. Foto: Secretaria Nacional de Inteligência do ParaguaiDoleiro

O doleiro Bruno Farina, sócio do ‘doleiro dos doleiros’ Dario Messer, foi preso no Paraguai nesta quarta-feira, 26. Bruno Farina foi denunciado pela Operação Câmbio, Desligo, desdobramento da Lava Jato no Rio.

A Secretaria de Nacional de Inteligência do Paraguai informou que a operação foi realizada pela Interpol no Paraná Country Club, no distrito de Hernandarias. Farina foi preso com documentos paraguaios e brasileiros.

Hernandarias fica na fronteira com o Brasil, onde é investigado por corrupção, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e associação criminosa.

A Operação ‘Câmbio, Desligo’, foi deflagrada no dia 3 de maio contra um ‘grandioso esquema’ de movimentação de recursos ilícitos no Brasil e no exterior por meio de operações dólar-cabo, entregas de dinheiro em espécie, pagamentos de boletos e compra e venda de cheques de comércio.

A organização, formada por cerca de 60 doleiros movimentou entre os anos de 2011 e 2016 mais de US$ 1,652 bilhão, em contas que se espalharam por 52 países e que envolveram mais de 3 mil offshores.

A Procuradoria da República no Rio sustenta que Farina e Augusto Rangel Larrabure operavam na organização criminosa identificados sob o codinome ‘Boxe’. Em quase todas as operações eles ‘compravam dólares’, isto é indicavam aos colaboradores contas no exterior para receber recursos em moeda estrangeira, e, em contrapartida, entregavam reais no Brasil.

As operações de Larrabure e Farina, junto aos doleiros Claudio Barboza e Vinícius Claret, totalizaram ‘a surpreendente’ cifra de USD 22, 8 milhões, de 2011 a 2017. A informação sobre o volume de recursos movimentados por essa ala da organização foi dada por delatores.

“Como relataram os colaboradores, as transações realizadas totalizaram cerca de 24 milhões de dólares, sendo compra de dólares por ‘Boxe’ no valor total de US$ 20,5 milhões e venda de dólares no montante global de US$ 2,3 milhões desde 2011, sendo que era Augusto Larrabure quem fazia os contatos no dia a dia com a equipe dos colaboradores, enquanto Bruno Farina era apenas o sócio capitalista”, assinala o Ministério Público Federal.

“Importante notar que esse núcleo operou com a organização criminosa até as vésperas da prisão dos delatores, no início de 2017, tudo indicando que continuam operando até hoje”, sustentam os investigadores.

Eles registram que, no sistema ST, fornecido pelos delatores, foi possível extrair a data em que os denunciados passaram a integrar a rede de lavagem e sua última transferência de recursos.

A data de cadastro do codinome utilizado por ‘Boxe’ se deu em 22 de março de 2001 e a última transferência em 7 de março de 2017, dias antes da prisão dos colaboradores.

“Não restam dúvidas de que, pelo menos desde 22 de março de 2011 até 7 de março de 2017, Augusto Larrabure e Bruno Farina, além de outros indivíduos já denunciados ou a serem denunciados oportunamente ou ainda não identificados, de modo consciente, voluntário, estável e em comunhão de vontades, promoveram, constituíram, financiaram e integraram, pessoalmente, organização criminosa que tinha por finalidade a prática de, entre outros, crimes de corrupção ativa e passiva, evasão de divisas e lavagem dos recursos financeiros auferidos desses crimes.”

A Procuradoria enquadrou Farina e seus aliados por formação de quadrilha e organização criminosa.

A prisão de Farina aconteceu um dia depois de terem sido feitas duas operações no mesmo endereço em busca do doleiro, de acordo com o Ministério do Interior do Paraguai.

Em maio, a polícia já havia feito buscas em duas mansões em Hernandarias, propriedades de Farina e Dario Messer. A casa de Messer estava abandonada, informou, na época, a polícia de Assunção. Ele ainda está foragido.

A Promotoria do Paraguai afirma que Messer e um primo do ex-presidente paraguaio Horacio Cartes (2013-2018) teriam realizado operações irregulares no Paraguai no valor de US$ 40 milhões por meio de três empresas.

Prisão de Bruno Farina. Foto: Twitter/@sni_paraguay – Secretaria Nacional de Inteligência do Paraguai

Prisão de Bruno Farina. Foto: Twitter/@sni_paraguay – Secretaria Nacional de Inteligência do Paraguai

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