Documentos sobre contas na Suíça motivaram preventiva de ex-gerente da Petrobrás, diz Moro

Documentos sobre contas na Suíça motivaram preventiva de ex-gerente da Petrobrás, diz Moro

Em decisão que deflagrou a Operação Paralelo, o juiz da Lava Jato na primeira instância afirmou que, em 2015, quando o ex-gerente da Petrobrás Roberto Gonçalves foi preso temporariamente, não havia ainda “carga probatória suficiente” sobre contas não declaradas no exterior

Luiz Vassallo, Julia Affonso e Ricardo Brandt

28 Março 2017 | 13h34

DECISÃO GONÇALVES

O juiz Sérgio Moro afirmou, em decisão que deflagrou a Operação Paralelo, 39ª fase da Lava Jato, que documentação enviada pela Suíça sobre contas atribuídas ao ex-gerente da Petrobrás Roberto Gonçalves motivaram a prisão preventiva do ex-executivo. Gonçalves foi sucessor de Pedro Barusco, um dos delatores da Lava Jato, na estatal, e teria, segundo as investigações, teria dado continuidade aos esquemas de corrupção instaurados na estatal.

Roberto Gonçalves foi preso temporariamente em novembro de 2015, na Lava Jato. Na época, a custódia não foi convertida para preventiva e o ex-gerente foi solto, depois de 10 dias detido. De acordo com Moro, naquela ocasião, ainda não havia “carga probatória suficiente, o que só foi somente agora satisfeito com a vinda da documentação das contas na Suíça”.

O magistrado ainda pontuou que ainda não havia indícios de que Gonçalves ‘durante as apurações na Operação Lava Jato’, havia, ‘praticado novos atos de lavagem, apresentado documentos falsos ao Banco na Suíça para justificar as movimentações, e dissipado parte dos ativos mantidos no exterior’.

“A prova nova e o surgimento superveniente dos fundamentos da prisão preventiva autorizam a sua decretação ainda que não tenha sido ela requerida ou decretada anteriormente”, conclui Moro.

Segundo investigação criminal da Suíça, Roberto Gonçalves teria apresentado, ao Banco Societe Generale, documentos falsos para justificar os depósitos na conta em nome da offshore Fairbrigde Finance SA, ‘especificamente um contrato de consultoria’. Os investigadores suíços afirmaram que perante o banco, onde as contas eram mantidas, Gonçalves afirmou, ‘entre outros, que os pagamentos em favor da Fairbridge teriam sido efetuados em razão de serviços de consultoria prestados por ele e fundamentados em um contrato de consultoria entre a Avantec Servicios de Engenharia Ltd. (doravante Avante) e a Magna International’.

“Ele apresentou ao Banco SG um contrato de consultoria correspondente, porém, não assinado. No entanto, conforme fontes públicas, a Avantec não está relacionada a Gonçalves, mas a Rogério Araújo, diretor da Odebrecht. Por esse ou outros motivos, as declarações prestadas por Gonçalves perante o Banco SG sobre o contexto econômico dos pagamentos recebidos parecem ser falsas, uma vez que não é razoável acreditar que Gonçalves realmente tenha prestado serviços de consultoria legal à Odebrecht”, destaca o documento suíço.