Documentos revelam o temor de senadores

Documentos revelam o temor de senadores

Documentos anexados à Operação Métis mostram preocupação constante com grampos telefônicos e escutas ambientais

Fábio Fabrini e Fábio Serapião, de Brasília, e Julia Affonso e Mateus Coutinho, de São Paulo

22 Outubro 2016 | 04h50

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Foto: Dida Sampaio/Estadão

Documentos que ilustram o inquérito da Operação Métis, da Polícia Federal, revelam uma preocupação permanente de senadores com a possibilidade de serem alvo de monitoramento. São ofícios dos gabinetes dos parlamentares dirigidos ao diretor da Polícia do Senado, Pedro Ricardo de Araújo Carvalho – preso nesta sexta-feira, 21, por supostamente integrar um esquema de contrainteligência para blindar senadores da Operação Lava Jato.

Por meio de seus chefes de gabinete, os senadores solicitaram ‘varredura geral’ em seus espaços na Casa. Cópias de treze pedidos – feitos entre agosto de 2013 e março de 2015 – foram juntadas aos autos da Métis.

A varredura consiste em uma inspeção para identificação de grampos telefônicos e de emails e, ainda, escuta ambiental.

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Muitos senadores citados nesses ofícios não são alvo da Lava Jato. Outros são, como Fernando Collor (PTC/AL) e Gleisi Hoffmann (PT/PR).

Em 18 de setembro de 2013 Marco Aurélio de Oliveira, do gabinete do então senador Vital do Rêgo – hoje ministro do Tribunal de Contas da União -, solicitou ao diretor da Polícia ‘a gentileza de autorizar varredura eletrônica e telefônica deste gabinete’.

Vital do Rêgo foi presidente da CPI da Petrobrás em 2014 e é citado na Lava Jato porque teria integrado um esquema de blindagem de empreiteiros ligados ao cartel na estatal petrolífera – o que é negado enfaticamente pelo hoje ministro da Corte de Contas.

Em 7 de fevereiro de 2014, o gabinete de Vital do Rêgo requereu outra vistoria ‘nos telefones do Gabinete do 18.º andar, do Anexo I, ocupado por Sua Excelência’.

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Duas solicitações foram feitas para inspeção nos espaços ocupados pelas Lideranças do PMDB e do PTB no Senado.

No caso do PTB, o pedido foi apresentado em 29 de abril de 2014 pelo chefe de gabinete da liderança do partido, Dênio José Rodrigues Louro, ‘de ordem do Senador Gim’.

Gim Argello está preso na cadeia da Lava Jato, condenado a 19 anos de prisão por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e obstrução de investigação contra organização criminosa. Ele teria exigido propinas de R$ 5 milhões de cada empreiteira alvo das CPIs da Petrobrás.

Em 28 de maio de 2014, Ewandro de Carvalho Sobrinho, do gabinete do então senador Lobão Filho (PMDB/MA), pediu perícia em dois endereços – Ala Senador Tancredo Neves, gabinete 54, a SMDB Conjunto 7, lote 7, casa B, Condomínio Brasão das Águas, Lago Sul, Brasília.

Em 3 de fevereiro de 2015, a Polícia do Senado recebeu pedido de ‘varredura por escutas e câmeras, além de outras tecnologias que julgar necessário, no gabinete do nobre senador Tasso Jereiassati (PSDB), situado no 14.º andar do Anexo I’.

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