Documento aponta que Bolsonaro fala em ‘proteger familiares e amigos’ em vídeo de reunião

Documento aponta que Bolsonaro fala em ‘proteger familiares e amigos’ em vídeo de reunião

Ministro Augusto Heleno (GSI) foi questionado sobre quem seriam 'os familiares e amigos' mencionados pelo presidente durante o encontro de ministros; é o primeiro registro documental que Bolsonaro teria dito a fala

Paulo Roberto Netto e Fausto Macedo

12 de maio de 2020 | 23h28

O termo de depoimento do ministro Augusto Heleno consta pergunta feita ao general sobre quem seriam os ‘familiares e amigos’ que o presidente Jair Bolsonaro fala em ‘proteger’ durante a reunião ministerial do dia 22 de abril – é o primeiro registro documental de que o presidente teria dito a fala no encontro.

“Que perguntado sobre fala do Presidente no vídeo da reunião do dia 22.04.2020, exibido nesta data por ordem do Supremo Tribunal Federal, que, no entender da PGR, se referia ao Superintende (sic) do Rio de Janeiro, em que o Presidente fala em proteger seus familiares e amigos, e perguntado quem são esses familiares e amigos, o depoente (Augusto Heleno) respondeu que precisaria assistir ao vídeo para responder”, consta o termo do depoimento.

Mais cedo, fontes informaram ao Estadão que durante o encontro, Bolsonaro justificou a necessidade de trocar o superintendente da PF no Rio à defesa de seus próprios filhos, alegando que sua família estaria sendo ‘perseguida’. O vídeo foi dito como ‘devastador’ para a defesa do presidente.

Bolsonaro nega ter citado a palavra ‘Polícia Federal’ e ‘superintendência’ durante a reunião e garantiu que a palavra ‘investigação’ também não foi mencionada na reunião.

Em outro ponto, a defesa do ex-ministro Sérgio Moro perguntou o general se ele recordava de Bolsonaro dizer a seguinte frase ao se referir a investigações policiais: “Não quero ser blindado, mas também não quero ser sacaneado”. Heleno respondeu que não. A ocasião específica desta declaração não foi detalhada.

‘Natural’. Em depoimento, Heleno considerou ‘natural’ que o presidente da República ‘queria optar por uma pessoa próxima’ para comandar a Polícia Federal, mas destacou que a indicação de Alexandre Ramagem, diretor da Abin, se deveria à ‘eficiente administração’ do delegado em frente à agência, relatada pelo próprio Heleno a Bolsonaro ‘em diversas oportunidades’.

Segundo Heleno, a relação entre Bolsonaro e Ramagem ‘não extrapola os limites de uma vinculação profissional entre chefe e subordinado’, mas que também ‘natural’ que haja ‘uma proximidade’ de Ramagem com o presidente e seus filhos, visto que o delegado foi encarregado da segurança pessoal de Bolsonaro durante a campanha eleitoral.

O ministro também afirmou que Bolsonaro lhe teria dito, ‘em uma ou outra oportunidade’, e na presença do ex-ministro Sérgio Moro, que precisava de alguém ‘mais ativo’ no comando da Polícia Federal.

“Mais ativo no sentido de maior produtividade, o que não envolveria maior produção de relatórios de inteligência ainda que isso possa estar incluído no conceito de produtividade”, esclareceu o ministro.

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