‘Doações políticas são feitas para que se obtenha uma vantagem’, diz dono da UTC

‘Doações políticas são feitas para que se obtenha uma vantagem’, diz dono da UTC

Ricardo Pessoa afirmou em delação premiada que sua empresa dobrou as doações, atingindo os R$ 54 milhões, como estratégia para 'aumento de volume de negócios'

FAUSTO MACEDO, JULIA AFFONSO E RICARDO BRANDT

08 Novembro 2015 | 05h05

Ricardo Ribeiro Pessoa, presidente da UTC. Foto: Marcos Bezerra/Futura Press

Ricardo Ribeiro Pessoa, presidente da UTC. Foto: Marcos Bezerra/Futura Press

“As doações políticas são feitas para que se obtenha uma vantagem, seja ele devida ou indevida, seja para que partido for.” A delação premiada do dono da UTC Engenharia, Ricardo Pessoa, deu aos investigadores da Lava Jato a confissão de um dos principais membros ativos da corrupção na Petrobrás, via doações eleitorais a candidatos e partidos em troca de “benesses” nos governos.

Pessoa disse que a UTC doou nas eleições de 2014 o total de R$ 54 milhões em repasses oficiais a candidatos e partidos. “Esse valor doado em 2014 foi atípico, ‘o maior de todos’, visto que a UTC costumava fazer doações políticas na ordem de R$ 20 milhões”, contou o empreiteiro, em depoimento a força-tarefa da Lava Jato.

Um dos coordenadores do cartel de empreiteiras acusado na Lava Jato, Pessoa revelou que o “incremento no valor deveu-se a uma estratégia da UTC em ampliar a sua área de relacionamento, visando o aumento de volume de negócios da empresa”.

trecho delação pessoa sobre benesses

No caso das doações feitas para candidatos a deputado e senador, “o interesse da UTC é acompanhar e influenciar a agenda legislativa”. “As doações políticas propiciam maior acesso aos tomadores de decisões, facilitando acesso mais rápido aos seus objetivos e interesses de uma maneira mais eficaz e célere”

No melhor exemplo que as doações podem servir a interesses econômicos e não políticos ou partidários, o dono da UTC citou doações que fez ao candidato Paulo da Força (PDT-SP), de olho na atuação sindical deste nas obras da Usina Hidrelétrica São Manoel, bem como as doações para o deputado Valdemar Costa Neto (PR-SP) – condenado no mensalão – por sua “grande relevância” no Ministério dos Transportes.

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A força-tarefa quis saber qual a relação entre o aumento de doações é os novos negócios e o delator explicou que “o relacionamento com autoridades eleitas propicia a abertura de potas para que você tinha legitimidade para propor e discutir oportunidade de negócios.

“Nunca foi pedido nada em troca, mas as doações abriram portas de acesso e colocavam a UTC em uma composição de destaque.” Segundo Pessoa, “os candidatos em geral sabiam que em futuras eleições o apoio do declarante seria importante e isto fazia com que ele tivesse uma forma de ‘poder'”.