Do hospital, Barroso usa celular para dar voto em julgamento sobre Lula

Do hospital, Barroso usa celular para dar voto em julgamento sobre Lula

Esta é a primeira vez na história da Corte que um ministro usa o aparelho celular para proferir o seu voto em uma sessão transmitida ao vivo pela TV Justiça

Rafael Moraes Moura/ BRASÍLIA

15 de abril de 2021 | 20h16

O ministro Luís Roberto Barroso vota do celular em julgamento sobre Lula. Foto: Rafael Moraes Moura/ Estadão

Em um momento histórico, o ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), utilizou o aparelho celular para dar um voto nesta quinta-feira (15) não de sua residência, ou do gabinete, mas dos corredores de um hospital, em Brasília, durante o julgamento sobre a anulação das condenações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Desde o início da pandemia do novo coronavírus, o ministro costuma participar das sessões plenárias por videoconferência.

Esta é a primeira vez na história da Corte que um ministro usa o aparelho celular para proferir o seu voto em uma sessão transmitida ao vivo pela TV Justiça. Segundo o STF, a mulher de Barroso teve um “problema de saúde e o ministro a acompanhou ao hospital, onde se reuniram com uma junta médica”. Ela passa bem.

A expectativa do presidente do STF, Luiz Fux, era a de que o julgamento sobre a anulação das condenações de Lula não se estendesse muito e fosse retomado apenas na próxima quinta-feira. Os ministros, no entanto, decidiram proferir votos curtos, acelerando a discussão sobre o caso, o que pegou de surpresa integrantes da Corte.

“Para não atrasar, presidente, estou aqui ingressando para endossar com ressalva de posição pessoal, o encaminhamento pelo eminente relator ministro Edson Fachin”, disse Barroso, do hospital, acompanhando o entendimento da maioria, de anular as condenações de Lula.

Barroso é um entusiasta de novas tecnologias. À frente da presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o ministro defende a discussão de formas mais avançadas de votação nas eleições, como pelo celular e pela internet.

Novidade no Supremo, o uso do celular para votar em sessões já faz parte da rotina do Senado. Em março do ano passado, a senadora Kátia Abreu (PP-TO) conectou seu celular na primeira sessão virtual nos 196 anos de história do Senado. A votação online discutia o decreto que institui situação de calamidade pública no Brasil.

“Bom dia, senador (Antonio) Anastasia (PSD-MG), eu estou parada na estrada à beira de um posto de gasolina, indo de Brasília para Palmas de carro pra evitar o contágio”, disse a senadora na ocasião.

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