Divórcio humanizado é solução ética e harmoniosa para o fim do casamento

Divórcio humanizado é solução ética e harmoniosa para o fim do casamento

Debora Ghelman*

29 de novembro de 2020 | 07h00

Debora Ghelman. FOTO: DIVULGAÇÃO

Neste ano, o isolamento social motivou muitas separações. O período atípico de pandemia e isolamento social fez com que as pessoas ficassem mais instáveis emocionalmente e as relações familiares acabaram sendo afetadas, resultando em divórcio para muitos casais.

De acordo com os procedimentos que envolvem Direito de Família, em mais de 10 anos de carreira analiso que um em cada três casamentos acabam em pedidos de divórcio. A maioria deles, inclusive, realizados pelas mulheres que na sociedade atual não aguentam permanecer em relacionamentos machistas, nos quais são submetidas a realizar a chamada tripla jornada de trabalho – trabalhar, cuidar dos filhos e da casa.

O momento do divórcio traz muitas lembranças. Mas, diferente do que se pensa, a separação não precisa haver brigas e discussões – pode ser menos dolorosa entre as duas partes. Mesmo com toda tristeza que o fim de um relacionamento desencadeia, o cenário ideal é que o ex-casal consiga chegar num consenso em relação aos termos do divórcio, uma vez que será menos doloroso no âmbito emocional e financeiro. É aí que entra o chamado ‘divórcio humanizado’.

A advocacia humanizada se baseia na função social da profissão oferecendo ética, transparência, franqueza, honestidade e sinceridade no atendimento ao cliente. A utilização das técnicas de mediação e da programação neurolinguística pelo advogado contribuem bastante para esse resultado positivo. O advogado ‘bom de briga’ deve dar lugar ao advogado ‘bom de solucionar conflitos’.

Por mais difícil que seja esse momento, nem sempre precisa haver brigas e discussões. Caso o divórcio seja um assunto doloroso para ser conversado entre o ex-casal, é recomendável contratar um advogado especialista em Direito de Família para negociar e intermediar os termos devidos, evitando desgastes pessoais.

O ideal é que se contrate um único advogado para realizar o divórcio e compor os termos do acordo da forma mais justa possível. Certamente, é a opção mais econômica. Mas, caso as partes optem por cada uma ter o seu próprio advogado,

aconselha-se fugir do modelo de advogado combativo.

As consequências da irresponsável atuação dos advogados podem custar muito caro à sua família. Um divórcio consensual sempre será mais barato, tanto em termos financeiros quanto, principalmente, em termos emocionais. Além de não envolvidos pela disputa, os advogados estão acostumados a este tipo de situação, podendo negociar com sobriedade e experiência.

O divórcio também pode afetar outras pessoas como filhos, pets e famílias extensas. Por isso, apesar de, neste momento podendo existir mágoa, aquela relação já foi um dia repleta de amor.  Vale a preservar, mesmo que o amor romântico não exista mais.

*Debora Ghelman é advogada especializada em Direito Humanizado nas áreas de Família e Sucessões, atuando na mediação de conflitos familiares a partir da Teoria dos Jogos

Tudo o que sabemos sobre:

ArtigoDivórcio

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.