Dispensado do Ipem após condenação pega cargo comissionado de R$ 15 mil na Assembleia de São Paulo

Dispensado do Ipem após condenação pega cargo comissionado de R$ 15 mil na Assembleia de São Paulo

Arlindo Afonso Alves deixou, em fevereiro, o Instituto de Pesos e Medidas do Estado depois de sentença por concussão transitar em julgado; Casa Legislativa informou que caso será alvo de apuração

Julia Affonso

18 de março de 2019 | 06h45

Arlindo Afonso Alves. Foto: Secretaria de Justiça de São Paulo

O ex-superintendente-adjunto do Instituto de Pesos e Medidas do Estado de São Paulo Arlindo Afonso Alves assumiu na quarta-feira, 13, o cargo em comissão de assessor especial de gabinete na liderança do PTB, na Assembleia Legislativa. Dispensado do órgão em fevereiro, após condenação transitada em julgado por concussão – exigir vantagem indevida – , Arlindo Afonso Alves vai receber holerite de R$ 15.979,75, segundo o portal da Transparência da Casa.

O assessor da liderança do PTB foi condenado a 2 anos de reclusão, em regime inicial aberto. A pena foi substituída por prestação de serviços à comunidade e prestação pecuniária.

A Assembleia informou que ‘não requere antecedentes criminais, mas sim faz pesquisa no Cadastro Nacional por Condenações Cíveis por Ato de Improbidade Administrativa e Inelegibilidade do Conselho Nacional de Justiça’. Segundo a Casa Legislativa, Arlindo Afonso ‘não está inscrito’.

“Em sua admissão, o funcionário assinou documento afirmando estar dentro da Lei da Ficha Limpa. O caso será alvo de apuração na Casa”, afirmou a Assembleia.

Em fevereiro, a juíza Isadora Botti Beraldo Montezano, da Vara de Jarinu (SP), mandou executar a pena de Arlindo em ‘uma das Varas das Execuções Criminais da Capital’. Parte da execução da pena é o pagamento de um salário mínimo.

Qual é a acusação contra o superintendente adjunto do Ipem Arlindo Afonso Alves?

Arlindo e o ex-presidente da Câmara de Vereadores de Jarinu (SP) Janio Lorencini foram acusados pelo Ministério Público de São Paulo. A investigação apontou que Arlindo estava ‘transportando irregularmente’ uma pessoa no compartimento de carga quando foi abordado por dois policiais militares.

Segundo o processo, Arlindo gritou aos PMs que era ‘assessor parlamentar do deputado estadual Campos Machado (PTB)’ e exigiu que seu carro não fosse guinchado. Para a Justiça, o número 2 do Ipem reclamou para si vantagem indevida.

O superintendente adjunto do Ipem foi lotado no gabinete do deputado Campos Machado (PTB) entre fevereiro e abril de 2001. Ele também foi assessor especial parlamentar da Liderança do PTB na Assembleia Legislativa de São Paulo, de fevereiro de 2011 a fevereiro de 2015.

Em 19 de junho do ano passado, o Supremo Tribunal Federal (STF) publicou uma certidão de trânsito em julgado da condenação de Arlindo, que pegou dois anos de pena – substituída por restritivas de direitos.

COM A PALAVRA, A ASSEMBLEIA

“A Assembleia Legislativa de São Paulo não requer antecedentes criminais, mas sim faz pesquisa no Cadastro Nacional por Condenações Cíveis por Ato de Improbidade Administrativa e Inelegibilidade do Conselho Nacional de Justiça, em que ele não está inscrito. Em sua admissão, o funcionário assinou documento afirmando estar dentro da Lei da Ficha Limpa. O caso será alvo de apuração na Casa.”

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