Diretor de consórcio defende empresa investigada na Lava Jato

José Olavo Rocha Filho, responsável pelo contrato das obras de Abreu e Lima, diz que as empresas Sanko fizeram "o melhor preço"

Redação

20 de setembro de 2014 | 05h00

Por Mateus Coutinho, Fausto Macedo e Ricardo Brandt

Em depoimento prestado à Justiça Federal nesta sexta-feira, 19, o diretor do Consórcio CNCC responsável pelo contrato das obras da Refinaria de Abreu e Lima, José Olavo de Mesquita Rocha Filho,saiu em defesa do contrato firmado com as empresas Sanko Sider e Sanko Serviços para o fornecimento de material e serviços para o empreendimento.

“Foi feita uma licitação com mais ou menos 20 empresas e esse foi o melhor preço que conseguimos”, explicou, em referência aos cerca de R$ 140 milhões repassado pelo consórcio para as duas companhias. Segundo o diretor, a Sanko Sider forneceu cerca de 7 mil toneladas de material entre 2010 e 2013.

Ele, contudo, não soube citar outros serviços prestados pela Sanko Serviço ao CNCC.“Pelo que me consta ela (Sanko Serviços) foi contratada somente para essa obra (de Abreu e Lima)”, afirmou o executivo, que lembrou ainda que o empreendimento “foi o maior da Camargo Corrêa em óleo e gás”.

O CNCC foi o consórcio vencedor da licitação das obras da refinaria em 2008 e contratou várias empresas para atuar na execução do empreendimento.Apesar da dimensão do projeto, segundo denúncia do Ministério Público Federal, até dezembro de 2010 a Sanko Serviços estava inativa e possuía um capital social de apenas R$ 3 mil. Ela firmou contrato com o CNCC em 2009 junto com a Sanko Sider.

A Sanko Serviços e a Sanko Sider são alguma das empresas acusadas pelo Ministério Público Federal de lavar dinheiro que seria utilizado para o pagamento de propinas em contratos da Petrobrás por meio das empresas do doleiro Alberto Youssef, personagem chave da Operação Lava Jato. Somente em 2011 a Sanko Serviços recebeu R$ 11,5 milhões do CNCC para prestação de serviços.

Ainda em 2011, segundo a denúncia do MPF, a Sanko Serviços pagou cerca de R$ 15,443 milhões para a MO Consultoria, empresa de fachada que Youssef utilizaria para pagamento de propinas. José Olavo negou ter conhecimento dos contratos entre a Sanko Serviços e a MO Consultoria.

Confusão. Além da Sanko Serviços, o CNCC também contratou a Sanko Sider para o fornecimento de tubos, flanges e conexões para a obra. Durante o depoimento, contudo, José Olavo deixa claro que não sabia como era a divisão do pagamento para as duas empresas.

“Sei que tínhamos um pagamento para a Sanko, como tratávamos a Sanko como uma coisa só, não sei se na fatura saia separado. Quem fazia isso era o pessoal de financeiro, não tenho certeza”, disse.

Apesar de afirmar que era o melhor preço, ele não souber responder porque, somente em 2011, o CNCC pagou cerca de R$ 34,8 milhões relativos a materiais e R$ 16,3 milhões relativos a serviços para a Sanko Sider, além de pagar R$ 11,5 milhões para a Sanko Serviços, também por prestação de serviços.

“Não tenho dado aqui para poder ver, não posso nem responder, sei que tudo lá tinha medição, tinha relatório, acho que está certo”, afirmou.

Segundo denúncia do MPF, entre 2009 e 2013 a Sanko Sider e a Sanko Serviços repassaram R$ 26 milhões para a MO Consultoria provenientes de contratos com o CNCC. O Grupo Sanko é propriedade de Márcio Bonilho e Murilo Bairros, réus na ação da Lava Jato acusados de participar do grupo liderado por Youssef que desviou dinheiro da Petrobrás.

COM A PALAVRA, O GRUPO SANKO

O Grupo Sanko, por sua Assessoria de Imprensa, declarou. “Sólida argumentação, acompanhada de vasta e fundamentada documentação comprobatória além de vários depoimentos de testemunhas idôneas estão sendo apresentadas em Juízo. A lisura de toda a atividade comercial desenvolvida pela empresa vem sendo reiteradamente confirmada. A Sanko-Sider atua com reconhecida responsabilidade e ética há 18 anos nesse mercado e repudia veementemente qualquer afirmação, seja de quem for, que tente associá-la a atos e atividades com as quais não tem nenhuma relação.”

LEIA A ÍNTEGRA DOS DEPOIMENTOS À POLÍCIA FEDERAL DO EMPRESÁRIO MÁRCIO DE ANDRADE BONILHO E DE FABIANA ESTAIANO, SUPERINTENDENTE ADMINISTRATIVA FINANCEIRA DO GRUPO SANKO

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