Diretor da OAS nega pagamento para ex-deputado

Mateus Coutinho apresentou documento na Justiça no qual afirma ser um 'mero funcionário' da empreiteira

Redação

08 de maio de 2015 | 19h02

Por Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, Julia Affonso e Fausto Macedo

Acusado de promover pagamentos de propina pela empreiteira OAS no esquema de corrupção na Petrobrás, o executivo Mateus Coutinho de Sá Oliveira apresentou à Justiça Federal nesta sexta feira,8, um termo de declaração por escrito em que diz ser um ‘mero funcionário’ e que nunca foi responsável por qualquer liberação de pagamentos da construtora – uma das 16 acusadas de cartel na Operação Lava Jato. Porém, frente a frente com Sérgio Moro, o magistrado da Lava Jato, Coutinho preferiu o silêncio como estratégia. Orientado pelos criminalistas Roberto Telhada e Edward de Carvalho, ele não quis responder as indagações do juiz.

Na petição por escrito ele negou, inclusive, ter ligações com o doleiro Alberto Youssef, peça central da Lava Jato.

“Nunca tive qualquer tipo de relacionamento com Alberto Youssef”, declara ele, no termo entregue pela defesa na manhã desta sexta feira, 8, à Justiça Federal.

Coutinho e outros executivos da empreiteira, entre eles Léo Pinheiro, número 1 da OAS, são formalmente acusados pelo Ministério Público Federal de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Esse processo da Lava Jato envolve propinas de R$ 10 milhões em dois contratos bilionários feitos com a Petrobrás para obras nas refinarias Abreu e Lima (RNEST), em Pernambuco, e Presidente Getúlio Vargas (REPAR), no Paraná.

Mateus Coutinho é apontado como responsável, junto com Léo Pinheiro e outro executivo, “pela liberação dos pagamentos de vantagens indevidas efetuados pela empreiteira no contexto de corrupção de Paulo Roberto Costa (ex-diretor de Abastecimento da estatal) e de outros empregados da Petrobrás”.

Ele alega que foi acusado com base “numa falsa premissa” de que teria liberado os pagamentos pela Construtora OAS. “Isso não é verdade”, afirma na peça por escrito.

Segundo a força tarefa da Lava Jato, Mateus Coutinho teria liberado valores para o ex-deputado federal Luiz Argôlo, que na época era do PP da Bahia. Uma troca de mensagens encontrada no telefone do doleiro Youssef foi destacada na denúncia contra os executivos da OAS.

“Falei com matheus vai liberar semana que vem”, informou Beto, apelido de Youssef, na troca de mensagens. “Uma parte dos 400”, informa ele ao interlocutor, “LA” – que foi identificado como Luiz Argolo, posteriormente.

“(Mateus) era usualmente referido em mensagens interceptadas entre Alberto Youssef e o interlocutor “LA” como a pessoa responsável pela liberação e operacionalização de pagamentos de vantagens indevidas pela OAS para agentes corrompidos”, sustenta a força-tarefa da Lava Jato.

O réu alega que jamais foi diretor financeiro da Construtora OAS e que é improcedente a informação de que liberou pagamento ao ex-deputado federal Luiz Argôlo.

“Não tenho conhecimento de qualquer propina destinada a agentes políticos e funcionários da Petrobrás”, registrou ele, na versão por escrito.

Argumentou ainda que na época dos fatos imputados ele era “um mero funcionário da empresa OAS”. Mateus Coutinho virou diretor da OAS em 2013 – posterior aos contratos investigados, segundo ele argumenta.

O executivo da OAS declarou ainda que “nunca soube de qualquer ajuste, combinação, promessa ou pagamento de quaisquer vantagens indevidas a agentes públicos e funcionários da Petrobrás”.

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