Ex-diretor da Dersa girou R$ 50 mi em cinco anos, diz relatório da PF

Ex-diretor da Dersa girou R$ 50 mi em cinco anos, diz relatório da PF

Em 21,8 mil transações, Polícia Federal detalha depósitos em espécie e transferências bancárias de supostos laranjas para contas pessoais e de empresas de Pedro da Silva, preso na Operação Pedra no Caminho

Luiz Vassallo, Fabio Serapião, Fabio Leite e Julia Affonso

22 Junho 2018 | 05h01

Reprodução de tabela de depósitos em espécie nas contas bancárias de empresas de Pedro da Silva

Um relatório de análise bancária da Polícia Federal revela que o ex-diretor de engenharia da Dersa Pedro da Silva movimentou R$ 50 milhões em cinco anos. Ele foi preso temporariamente – prazo de cinco dias prorrogáveis – nesta quinta-feira, 21, no âmbito da Operação Pedra no Caminho, que mira desvios na construção do Rodoanel Trecho Norte.

A reportagem está tentando contato com as defesas de Silva e outros investigados que constam no relatório. O espaço está aberto para manifestação.

Documento

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De acordo com o documento, as contas vinculadas a Silva, incluindo as de suas empresas, fizeram 21,9 mil transações, sendo R$ 50.649.422,79 a débito e R$ 50.646.401,97 a crédito, no período entre fevereiro de 2013 e agosto de 2017. Boa parte ocorreu entre empresas do próprio diretor da Dersa. Ele também recebeu diversos depósitos em espécie de pessoas físicas e de suas próprias pessoas jurídicas.

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“O próprio Pedro Silva é identificado como a principal origem das transações, sendo R$ 2.221.473,73 em 111 movimentações, como transferências entre contas, resgates de aplicação e depósito”.

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Reprodução de tabela de depósitos em espécie na conta de empresa de Pedro da Silva

Ele teria realizado quatro depósitos que totalizaram R$ 829,8 mil. No dia 19/08/2014 depositou R$ 550 mil em conta de uma de suas empresas. Em junho do mesmo ano, depositou R$ 220 mil na conta da mesma empresa. Em sua conta de pessoa física, Silva também guardou R$ 55,8 mil.

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Chamou atenção da força-tarefa da Lava Jato, pessoas ligadas a Silva podem ter sido utilizadas como laranjas para vantagens indevidas.

Uma dessas pessoas é Valdir dos Santos Paula, que fez 22 transações que chegam a R$ 1 milhão. Segundo a investigação, ele é gerente administrativo e tem salário de R$ 2 mil.

Outra apontada como suposta ‘conta de passagem’ é Jucelene Aparecida Ferreira Dornellas, que fez sete depósitos em espécie, totalizando R$ 223,5 mil, em contas de três empresas do ex-diretor da Dersa. De acordo com as investigações, ela é auxiliar de escritório de uma das empresas de Silva e tem salário entre R$ 2,5 mil e R$ 3 mil.

Reprodução de depósitos da ‘auxiliar de escritório’ Jucelene nas contas de Pedro da Silva

“Jucelene aparece também como destino em 43 operações a débitos, do tipo “Transferências entre contas”, nas contas de Pedro da Silva e SCJ Agropecuária, no período de maio de 2015 a maio de 2017, totalizando R$ 65.868,00. Os valores destas transações são bem abaixo dos valores dos depósitos e não apresentam uma periodicidade, que caracterizaria pagamentos de salários”.

Os dados sobre Jucelene não estão completos, já que seu sigilo bancário não foi quebrado.

A PF ainda ponta para outro suposto laranja. “Aide Sad Junior efetuou 11 transferências interbancárias com crédito na conta da SCJ Agropecuária – empresa de Pedro Silva – totalizando R$ 1,8 milhão”.

Reprodução do trânsito de dinheiro entre as contas de empresas de Pedro da Silva

A Polícia Federal chama atenção para o fluxo de movimentações entre empresas de Silva em questão de dias.

“Há 16 depósitos mensais em conta de Stars Bar e Restaurante LTDA, de janeiro/2014 a março/2015, cada um de R$ 17 mil, totalizando R$ 272 mil, sendo 13 identificados como origem SCJ Agro Pecuária LTDA, e 3 sem identificação, porém, pelo padrão, provavelmente tratar-se da mesma origem. Aparentemente, existe um padrão de fluxo financeiro relacionado a esses depósitos”, diz a PF.

COM A PALAVRA, PEDRO SILVA

A reportagem entrou em contato com a defesa. O espaço está aberto para manifestação.

COM A PALAVRA, DERSA

A DERSA – Desenvolvimento Rodoviário S/A e o Governo de São Paulo são os maiores interessados acerca do andamento do processo. Havendo qualquer eventual prejuízo ao erário público, o Estado adotará as medidas cabíveis, como já agiu em outras ocasiões.