Diretas Já!, pedem juízes federais

Diretas Já!, pedem juízes federais

Entidade de classe da toga, Unajuf conclama Congresso a editar emenda constitucional para antecipação das eleições no País

Luiz Vassallo e Julia Affonso

18 de maio de 2017 | 05h00

A União Nacional de Juízes Federais (Unajuf) de 1.º grau ‘conclamou’ nesta quarta-feira, 17, o Congresso para imediatamente editar emenda constitucional para antecipação das eleições no País. A iniciativa dos magistrados federais por Diretas Já é uma reação às delações da JBS, que podem implicar o presidente Michel Temer em suposto aval para a ‘compra’ do silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha no âmbito da Operação Lava Jato.

Nesta quarta-feira, 10, o jornal O Globo revelou que os irmãos Joesley e Wesley Batista, donos do grupo JBS, gravaram conversas com o presidente da República sobre o ex-presidente da Câmara, condenado a 15 anos e quatro meses de prisão pelo juiz federal Sérgio Moro.

No diálogo, gravado no Palácio do Jaburu, durante reunião de quarenta minutos, Joesley teria dito a Temer que estava pagando mesada a Cunha e também a Lúcio Funaro, apontado como operador do ex-presidente da Câmara e também preso na Lava Jato. Em troca dos repasses, Cunha e Funaro deveriam ficar em silêncio sobre irregularidades envolvendo aliados. “Tem que manter isso, viu?”, disse Temer a Joesley, segundo relatou O Globo.

A Unajuf é uma entidade que representa parcela dos juízes federais. Outra é a Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), que não se pronunciou sobre o episódio Temer.

Em nota, Unajuf diz que ‘entende que a nação brasileira não suporta, em um mesmo período de mandato, seja do Poder Executivo, seja do Poder Legislativo, mais outro embate que envolva os mesmos personagens da política nacional’. A entidade se refere ao processo de impeachment de Dilma, em 2016, que abriu caminho para seu vice, Temer, assumir a cadeira presidencial.

“A sociedade clama com urgência por seu direito de livre escolha de seus destinos, sob pena de o clamor social transformar-se em indesejável convulsão social”, reivindicam os juízes federais.

A União Nacional de Juízes Federais de 1.º grau ainda afirmou lamentar ‘profundamente a atuação do Tribunal Superior Eleitoral que não deu, tempo e modo, a resposta que a sociedade precisava quanto ao julgamento da validade das últimas eleições presidenciais, no que poderia, constitucionalmente, alterar os destinos da nação’.

COM A PALAVRA, A AJUFE

NOTA PÚBLICA

A AJUFE – Associação dos Juízes Federais do Brasil, entidade de classe de âmbito nacional da magistratura federal, tendo em vista os fatos noticiados ontem e hoje, envolvendo a colaboração premiada da JBS, recebe com enorme indignação as acusações feitas em relação a todos os envolvidos, lamentando os níveis de corrupção que se instalaram no País.
Todas as autoridades citadas, inclusive o senhor Presidente da República, têm a obrigação de prestar os esclarecimentos necessários a toda a sociedade, dado os cargos que ocupam, sendo isso que deles se espera.
E, na atual situação política do País, fragilizada ao extremo por esses recentes fatos, inexiste qualquer condição de análise de alterações e reformas legislativas que nem sequer demandaram discussão efetiva com a sociedade.
A AJUFE espera, sinceramente, que o Brasil possa atingir os níveis desejáveis de democracia e transparência, independentemente do que seja necessário para isso acontecer e obedecidas as leis da República.

Brasília, 18 de maio de 2017.

Roberto Carvalho Veloso
Presidente da Ajufe

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