‘Direito de permanecer em silêncio’

‘Direito de permanecer em silêncio’

Homem da mala, agora sem topete, calou-se na Polícia Federal nesta sexta-feira, 9, levando certo alívio ao Palácio do Planalto

Fábio Serapião, de Brasília

09 de junho de 2017 | 14h14

O homem da mala reivindicou ‘direito de permanecer em silêncio’ em seu interrogatório na Polícia Federal em Brasília. Alegando ‘orientação de sua defesa técnica’, Rodrigo da Rocha Loures, ex-assessor especial do presidente Michel Temer, se calou na audiência. O gesto do homem da mala levou certo alívio ao Palácio do Planalto diante de situações e nomes que ele poderia revelar à PF.

Existe expectativa de que ele poderá fazer delação premiada para se livrar da Papuda, onde está preso desde quarta-feira, 7.

Loures foi capturado sábado, 3, por ordem do ministro Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal. Passou alguns dias na sede da PF em Brasília até ser transferido para a Papuda.

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Na noite de 28 de abril ele foi filmado por agentes da PF, lépido e saltitante, por uma rua de São Paulo carregando mala estufada de propinas da JBS – 10 mil notas de R$ 50, somando R$ 500 mil.

Ex-deputado (PMDB/PR), Loures é alvo do inquérito da Operação Patmos, que mira principalmente o presidente Michel Temer.

O procurador-geral da República Rodrigo Janot atribui a Loures mais que o papel de um ex-assessor especial do presidente. Na avaliação de Janot, o ex-deputado é ‘homem da total confiança, um verdadeiro longa manus de Michel Temer’.

Loures foi alvo de ação controlada da PF. Ele caiu no grampo negociando com executivos da JBS propinas milionárias e longevas, por até 25 anos, cujo destinatário seria Temer.

O presidente poderá ser acusado formalmente pela Procuradoria-Geral da República pelos crimes de corrupção passiva, organização criminosa e obstrução da Justiça.