‘Dinheiro público foi convertido em sapatos e roupas de grife’, diz procurador sobre gastos da mulher de Eduardo Cunha

‘Dinheiro público foi convertido em sapatos e roupas de grife’, diz procurador sobre gastos da mulher de Eduardo Cunha

Deltan Dallagnol, da força-tarefa da Lava Jato, afirma que Cláudia Cruz lavou no exterior mais de US$ 1 milhão por meio da compra de artigos de luxo

Julia Affonso, Fausto Macedo, Mateus Coutinho e Ricardo Brandt

09 de junho de 2016 | 16h36

Cláudia Cruz. Foto: Reprodução

Cláudia Cruz. Foto: Reprodução

O coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato, procurador Deltan Dallagnol, afirmou nesta quinta-feira, 9, que ‘dinheiro público foi convertido em sapatos e em roupas de grife’, em referência à lavagem de dinheiro atribuída à Cláudia Cruz, mulher do deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Cláudia Cruz é ré em ação penal por lavagem de dinheiro e evasão de divisas por decisão do juiz federal Sérgio Moro, que acolheu denúncia criminal da Procuradoria da República.

Na denúncia, a Procuradoria sustenta que ‘mais de US$ 1 milhão’ foram lavados por Cláudia, inclusive por meio da aquisição de artigos de luxo no exterior. O dinheiro, afirmam os procuradores, teve origem em propina que Eduardo Cunha teria recebido em uma transação da Petrobrás na África.

“Essa propina foi recebida pelo Eduardo Cunha numa conta no exterior e essa propina foi passada para outra conta que era escondida no exterior por Cláudia Cruz. Cláudia Cruz cometeu dois tipos de lavagem de dinheiro com base nesse dinheiro, mais de US$ 1 milhão. Um tipo de lavagem de dinheiro foi pela ocultação no exterior desses mais de  US$ 1 milhão que são fruto de propina, propina recebida pelo marido Eduardo Cunha. A outra lavagem de dinheiro foi a conversão desse dinheiro em bens de luxo. Dinheiro público foi convertido em sapatos e roupas de grifes”, afirmou.

A reportagem entrou em contato com o escritório que defende Idalécio e deixou recado, mas não obteve retorno. O espaço está aberto para a manifestação do empresário.

COM A PALAVRA, CLÁUDIA CRUZ

Claudia Cruz responderá às imputações como fez até o momento, colaborando com a Justiça e entregando os documentos necessários à apuração dos fatos. Destaca que não tem qualquer relação com atos de corrupção ou de lavagem de dinheiro, não conhece os demais denunciados e jamais participou ou presenciou negociações ilícitas.

A NOTA DIVULGADA POR EDUARDO CUNHA NO TWITTER:

“Trata-se de procedimento desmembrado do inquérito 4146 do STF, em que foi apresentada a denúncia, pelo Procurador Geral da República, ainda não apreciada pelo Supremo.

Foi oferecida a denúncia do Juízo de 1º Grau, em que o rito é diferenciado, com recebimento preliminar de denúncia, abertura de prazo para defesa em dez dias e posterior decisão sobre a manutenção ou não do seu recebimento.

O desmembramento da denúncia foi alvo de recursos e Reclamação ainda não julgados pelo STF que, se providos, farão retornar esse processo do STF.

Independente do aguardo do julgamento do STF, será oferecida a defesa após a notificação, com certeza de que os argumentos da defesa serão acolhidos.

Minha esposa possuía conta no exterior dentro das normas da legislação brasileira, declaradas às autoridades competentes no momento obrigatório, e a origem dos recursos nela depositados em nada tem a ver com quaisquer recursos ilícitos ou recebimento de vantagem indevida.

Eduardo Cunha”

COM A PALAVRA, A DEFESA DE JOÃO HENRIQUES:

O criminalista José Claudio Marques Barbosa, que defende João Augusto Rezende Henriques, informou que só vai se manifestar sobre a acusação pelos autos e após se encontrar com seu cliente, que está preso no Paraná.

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