Dinheiro no exterior era ‘como se fosse caderneta de poupança’, diz Cunha

Ex-presidente da Câmara foi interrogado pelo juiz Sérgio Moro na ação em que é réu por supostamente receber US$ 5 milhões em propinas em contrato da Petrobrás na África

Beatriz Bulla, enviada especial a Curitiba, e Ricardo Brandt e Valmar Hupsel Filho,  em São Paulo

07 de fevereiro de 2017 | 22h00

cunhadepo

 

O deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB/RJ) disse nessa terça-feira, 7, ao juiz Sérgio Moro que os recursos que mantinha em contas no exterior administradas por trusts eram usadas como investimento, uma “aplicação”. De acordo com o ex-parlamentar, os valores só eram usados para consumo e viagens ao exterior – e, portanto, não foram utilizados no Brasil.

“Há vários momentos nessa situação. Em todas usava como se fosse uma caderneta de poupança”, disse Cunha, durante o interrogatório que durou três horas.

Preso desde outubro, Cunha responde a uma ação penal por corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas, acusado do recebimento de propina por um negócio da Petrobrás na África e manutenção do dinheiro em contas no exterior.

Cunha, no entanto, afirmou que o dinheiro é de origem lícita e negou envolvimento em negócios da Petrobrás ou recebimento de propina. Ele voltou a afirmar que é beneficiário de contas administradas por trusts. O deputado ainda disse manter as contas há mais de 25 anos e, segundo ele, uma delas é registrada no divórcio de seu primeiro casamento, em 1996.

Gastos. Em outubro de 2015, quando as investigações da Suíça sobre contas ligadas a Eduardo Cunha chegaram no Brasil, os investigadores identificaram gastos de mais de US$ 800 mil em dois cartões de crédito internacionais e pagamentos, por exemplo, a um curso em renomada escola de tênis com sede na Flórida e cursos na Espanha e no Reino Unido.

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