Dinheiro da corrupção de Cabral era tanto que virou transtorno, revela doleiro

Dinheiro da corrupção de Cabral era tanto que virou transtorno, revela doleiro

Renato Chebar prestou depoimento o juiz da 7ª Vara Federal Criminal, Marcelo Bretas, na manhã desta terça-feira, 11

Constança Rezende/RIO

11 de julho de 2017 | 15h05

Sérgio Cabral. Foto: Carlos Magno/Imprensa RJ

O volume de dinheiro obtido pelo esquema de corrupção supostamente comandado pelo ex-governador Sérgio Cabral Filho (PMDB) cresceu tanto que virou um transtorno para quem operava com ele no País, segundo revelou o doleiro Renato Chebar ao juiz da 7ª Vara Federal Criminal, Marcelo Bretas, na manhã desta terça-feira, 11.

“Comecei a não dar conta do serviço. O esquema ficou grandioso para mim”, disse Chebar, que confirmou ter operado para Cabral o dinheiro de corrupção no período de 2007 a 2014- período em que o peemedebista foi governador do Rio.

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Sérgio Cabral foi preso em novembro do ano passado pela Operação Calicute, desdobramento da Lava Jato.

Em seu depoimento, Chebar contou que recebia de operadores de Cabral, em seu escritório no Rio, dinheiro vivo, que convertia em crédito em contas no exterior. Segundo Chebar, que é economista, antes de Cabral virar governador, a entrada de dinheiro era de cerca de R$ 150 mil mensais. A partir de 2007, aumentou muito. Passou a variar de R$ 450 mil a até R$ 1 milhão por mês.

“Neste período, fiquei com medo de guardar aquele dinheiro todo. Como ia transportar com segurança? Eu não tinha um esquema de segurança, carros fortes. Era um esquema muito maior do que eu tinha condição. Não tinha como buscar e andar no Rio com esse dinheiro. Deus me livre… Terceirizei e subcontratrei”, disse o operador, que fez acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal (MPF).

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Chebar disse que as contas ligadas a Cabral no exterior chegaram a ter US$ 120 milhões. Ele afirmou que não costumava fazer perguntas sobre a origem do dinheiro, mas prestava contas a Cabral três vezes ao ano, no apartamento do peemedebista no Leblon, na zona sul da capital fluminense. Já a Carlos Miranda, operador de Cabral também preso, as prestações eram três vezes por semana.

O doleiro afirmou também que fazia pagamentos de boletos de despesas rotineiras da família de Cabral. A uma agência de viagens em Londres, chegou a repassar 200 mil libras pelo peemedebista, em seis pagamentos, segundo relatou ao magistrado.

O operador contou que conheceu Cabral depois que o seu pai casou com uma secretária do ex-governador, em 2000. Foi quando começou a trocar dólares para Cabral viajar com a família para o exterior. Nesse período, o governador teria ficado preocupado com o escândalo do propinoduto, no governo de Rosinha Garotinho, e teria lhe pedido para assumir sua conta no exterior.

“Ele ficou assustado e fez contato se eu poderia assumir a conta que ele tinha no exterior, passar para o meu nome e gerenciá-la. Ali eu entrei, e começou um vínculo maior”, disse.

O Estadao.com ainda não conseguiu ouvir a defesa do ex-governador sobre as afirmações de Chebar.

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