Diminuir, não parar

Diminuir, não parar

Cassio Grinberg*

28 de março de 2020 | 06h00

Cassio Grinberg. FOTO: DIVULGAÇÃO

Esta época é difícil para todo mundo, e algumas empresas já estão sofrendo mais que outras. É preciso no entanto que se mantenha o foco, e que não se perca de vista os objetivos de longo prazo. Se você tem uma estratégia, é uma ótima hora para fazer as adaptações necessárias ao momento. Se ainda não tem, é uma boa oportunidade para criá-la.

O mais importante: sua empresa não pode parar. Mesmo que seu pessoal esteja em home office e seus clientes tenham sido obrigados a adiar algumas compras, é preciso ter criatividade para enfrentar. Sobretudo, é preciso estimular seu próprio time a pensar diferente, manter-se engajado, aceitar mas não se resignar. Fugir do caminho comum.

E qual o caminho comum? Primeiro, brigar nas redes: quer estimular o debate? Construa, em vez de destruir. Também não devemos espalhar terror: não é para não se preocupar, porque a época é mesmo preocupante, mas faça uma reflexão: você está estimulando seu time a pensar criativamente, ou só está transferindo a espada para cima da cabeça deles? Além disso, tendemos a checar demais: quando você passa o tempo todo checando, você capta mais ruído do que sinal. Pior, pára de ter tempo para pensar em soluções. Você já teve grandes problemas e solucionou-os. Qual era seu estado de espírito?

Três boas estratégias para manter a produtividade e a criatividade das pessoas: 1) Fazer Planejamento: esta é uma hora essencial para refletir e repensar a sua estratégia corporativa. É hora de se reinventar: não apenas para voltar mais forte, mas para voltar antes. Grandes problemas vivem perto de grandes oportunidades. 2) Esporte e família: aproveita aquela hora que você poupará no trânsito para calçar um tênis e entrar em forma. O Coronavírus não pega no ar, pode ir correr ao ar livre (mantendo distância e com álcool gel no bolso). Estimule sua equipe a fazer isso. Aproveite para se conectar com a família. O afeto é uma ótima forma de passar melhor por isso. 3) Continuar pagando: continue pagando, se puder: a academia de ginástica e a faxineira que não virá. Assim eles compram comida e não demitem o professor. Que vai continuar comprando na sua loja. Tudo está encadeado.O mundo precisa de uma mudança de paradigma. Trata-se de não estocar. Trata-se de uma questão de assumir um risco, e depois pagar menos por ele. Trata-se de apostar na lógica da abundância em vez de derrapar na via da escassez. Se esta situação nos ensina algo, é que não devemos pensar só em nós mesmos.

*Cassio Grinberg, sócio da Grinberg Consulting e autor do livro Desaprenda – como se abrir para o novo pode nos levar mais longe

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