Dilma teria nomeado Graça Foster para acabar com a “esculhambação” na Petrobrás, diz delator

Dilma teria nomeado Graça Foster para acabar com a “esculhambação” na Petrobrás, diz delator

Em delação premiada, o marqueteiro do PT João Santana relatou que Dilma Rousseff ficou ressentida com as queixas feitas por Lula a respeito da ex-presidente da Petrobrás

Liana Costa / ESPECIAL PARA O ESTADO

12 de maio de 2017 | 17h13

Foto: Fábio Motta/Estadão

O marqueteiro João Santana relatou, em delação premiada ao Ministério Público Federal, que a ex-presidente Dilma Rousseff teria nomeado Graça Foster para a presidência da Petrobrás para acabar com a “esculhambação” na estatal. Segundo o marqueteiro, a declaração foi uma resposta da então presidente a críticas feitas pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que considerava a indicação de Graça Foster um “erro profundo”.

Santana descreveu que, em um jantar no Palácio do Planalto, Dilma teria se ressentido com as queixas feitas por Lula. “Ela me disse: ‘Olha, as críticas que o Lula faz a Graça são tão injustas quanto as críticas que a imprensa faz a mim”, afirmou o delator, em referência às denúncias de irregularidades na compra da refinaria de Pasadena (EUA) envolvendo a petista.

De acordo com o marqueteiro, Dilma alegou estar “colocando ordem na casa”. O objetivo seria acabar com problemas de gestão e possíveis usos políticos da Petrobrás. Como parte do “saneamento”, estaria a demissão de Paulo Roberto Costa, ex-diretor da empresa condenado pela operação Lava Jato. “Ela usou a frase ‘será que eles não enxergam que eu estou arrumando a casa? O canalha do Paulo Roberto Costa fui eu que tirei. E acabei remediando muita coisa lá”.

As queixas de Lula a Graça Foster, esclarece Santana, eram relativas à demora no pagamento de empresas prestadoras de serviços para a Petrobrás. Segundo o delator, o ex-presidente afirmava que os atrasos seriam sistemáticos e intencionais, o que teria irritado empresários. “Ele tinha uma restrição pessoal e administrativa ao estilo da Graça. Dizia que ela era incompetente, não tinha estatura pro cargo, não tinha traquejo político, nem administrativo e que foi um erro profundo da Dilma colocá-la”.

Em nota enviada à imprensa na quinta-feira (11), quando o Supremo Tribunal Federal (STF) liberou o sigilo dos depoimentos, a assessoria de Dilma Rousseff disse que João Santana e Mônica Moura “prestaram falso testemunho e faltaram com a verdade em seus depoimentos, provavelmente pressionados pelas ameaças dos investigadores”.

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