Dilma quer delação de Funaro para tentar anular impeachment

Dilma quer delação de Funaro para tentar anular impeachment

Segundo a defesa da ex-presidente o processo é 'nulo' porque, no acordo de colaboração do doleiro fica 'demonstrado que o ex-deputado Eduardo Cunha comprou votos de parlamentares em favor do processo votado em agosto de 2016 no Senado

Luiz Vassallo

16 de outubro de 2017 | 19h07

Dilma e Temer em janeiro de 2015. Foto: EFE-Marcelo Sayao

A presidente Dilma Rousseff quer usar a delação de Lúcio Funaro para tentar anular seu impeachment votado no Senado no dia 31 de agosto de 2016. Segundo a defesa da ex-presidente o processo é ‘nulo’ porque, no acordo de colaboração do doleiro fica ‘demonstrado que o ex-deputado Eduardo Cunha comprou votos de parlamentares em favor do impeachment’.

O doleiro afirmou que, na época do impeachment, o então vice-presidente Michel Temer tramava “diariamente” a deposição de Dilma Rousseff com o então presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Joesley Batista, da JBS, disse, em colaboração,  que Cunha cobrou R$ 30 milhões da JBS na disputa pela presidência da Câmara, em 2015. O depoimento de Funaro colide com o do executivo. Segundo a versão do doleiro, Cunha teria pedido o montante para financiar campanhas de aliados em 2014.

“Joesley fala de modo errôneo. Foi para eleição de 2014 dos deputados que o Eduardo queria apoiar para serem eleitos para, depois de eleitos, votarem nele para a Presidência da Câmara”, recorda.

A defesa da ex-presidente vai requerer a juntada aos autos de mandado de segurança contra o seu impeachment o relato do doleiro, nesta terça-feira, 17.

“Entendemos que na defesa da Constituição e do Estado Democrático de direito, o Poder Judiciário não poderá deixar de se pronunciar a respeito, determinando a anulação do impeachment de Dilma Rousseff, por notório desvio de poder e pela ausência de qualquer prova de que tenha praticado crimes de responsabilidade”, afirma o advogado José Eduardo Cardozo.

COM A PALAVRA, O ADVOGADO DELIO LINS E SILVA, QUE DEFENDE CUNHA

A defesa de Eduardo Cunha afirma que qualquer estudante de direito sabe que delação não comprova nada e desafia o Senhor Lúcio Funaro ou os advogados da ex-presidente Dilma a provarem a compra de um voto sequer.

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