Dilma escolheu nome de mulher de general da ditadura para e-mail secreto, diz delatora

Dilma escolheu nome de mulher de general da ditadura para e-mail secreto, diz delatora

Mônica Moura declarou que comunicação com Dilma era feita de forma “cifrada” para tratar dos avanços da Operação Lava Jato

Rafael Moraes Moura e Breno Pires, de Brasília

12 de maio de 2017 | 16h40

Mônica Moura. Foto: Reprodução

A ex-presidente Dilma Rousseff (PT) escolheu o nome da mulher do ex-presidente Costa e Silva para criar uma conta de e-mail compartilhada com a empresária Mônica Moura para tratar do avanço da Operação Lava Jato, disse a delatora ao Ministério Público Federal. Segundo Mônica, a conta de e-mail no Google foi criada no computador pessoal de Dilma no Palácio da Alvorada. O computador, segundo a delatora, “era bem antigão, prateado, nada da Apple”.

“Criamos o nome (do e-mail), ela (Dilma) que deu sugestão do nome do e-mail: Iolanda. E botamos um número, Iolanda 2606, uma coisa qualquer, e criamos uma senha”.

Mulher de Costa e Silva, Iolanda Gibson Barbosa da Costa e Silva foi a primeira-dama do Brasil de 1967 a 1969, durante a ditadura militar.

Questionada pelos procuradores sobre o motivo do nome Iolanda ser escolhido para batizar a conta de e-mail, Mônica afirmou: “Ela (Dilma) que criou. A gente ficou pensando, tem de botar o nome de alguém e ela falou no nome da mulher do presidente Costa e Silva. Ela que inventou o nome Iolanda e a gente criou esse e-mail”.

RASCUNHO. De acordo com a delatora, a comunicação com Dilma era feita de forma “cifrada” para tratar dos avanços da Operação Lava Jato, já que a petista teria ressaltado que a comunicação não poderia ser por telefone.

As mensagens entre as duas teria sido trocada na área de rascunho dos e-mails, sem que os textos fossem efetivamente enviados. De acordo com Mônica, as mensagens eram “metafóricas”.

Em seu depoimento, a delatora contou detalhes da comunicação com a Dilma. Quando a então presidente tivesse alguma coisa pra falar ao casal de marqueteiros, acionaria o assessor Anderson Dornelles ou o seu ex-chefe de gabinete Giles Azevedo, que enviariam um recado “bem besta” à empresária pelo aplicativo WhatsApp.

“Algo bem assim, tipo ‘Está passando um filme muito legal, você tem de ver’, ‘Descobri um vinho maravilhoso, vocês precisam provar’. Quando eu recebia um recadinho assim, eu abria esse e-mail. Eu apagava tudo, eu tinha o maior cuidado”, contou a delatora.

“E criamos uma senha na época era “eu não sei o que 47”, que 47 é o ano em que ela (Dilma) nasceu”, afirmou a empresária. Dilma nasceu em 14 de dezembro de 1947.

DEFESA. Em nota enviada à imprensa na quinta-feira (11) após o STF liberar o sigilo da delação do casal, a assessoria de Dilma Rousseff disse que João Santana e Mônica Moura “prestaram falso testemunho e faltaram com a verdade em seus depoimentos, provavelmente pressionados pelas ameaças dos investigadores”. “Apesar de tudo, a presidente eleita acredita na Justiça e sabe que a verdade virá à tona e será restabelecida”, afirma a nota.

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