Dilma e Gabrielli vão depor ao STF na ação penal contra Gleisi

Dilma e Gabrielli vão depor ao STF na ação penal contra Gleisi

Ex-presidente da República e ex-presidente da Petrobrás foram arrolados pela defesa da senadora que preside o PT e é acusada do suposto recebimento de R$ 1 milhão do esquema de propinas na Petrobrás para custear sua campanha eleitoral em 2010

Rafael Moraes Moura, de Brasília

25 Julho 2017 | 17h35

Gleisi Hoffmann (ao fundo) e Dilma Rousseff. Foto: Wilton Júnior/Estadão

A ex-presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente da Petrobrás José Sérgio Gabrielli prestarão depoimento nos próximos dias no âmbito de uma ação penal que tramita no STF contra a senadora e presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, e o marido, o ex-ministro do Planejamento Paulo Bernardo.

O depoimento de Dilma está marcado para as 13h da próxima sexta-feira, 28, na sede da Seç?o Judiciária do Estado do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre. Já Gabrielli prestará depoimento na próxima segunda-feira, 31, na sede da Seç?o Judiciária do Estado da Bahia, às 17h. Ambos falarão na condição de testemunhas de defesa.

LAVA JATO NO BLOG: + Moro mantém bloqueio de R$ 9 milhões de Lula na Previdência

PF indicia executivo da ‘gráfica do PT’

Lava Jato no Rio ganha mais 6 meses

Em dois anos, Janot cercou Temer e também Lula, Aécio, Renan, Cunha,…

Na última segunda-feira, 24, a ex-presidente da Petrobrás Maria das Graças Foster prestou depoimento ao STF, também como testeminha de defesa.

Em setembro do ano passado, a Segunda Turma do STF aceitou por unanimidade a denúncia contra Gleisi e Paulo Bernardo, que se tornaram réus na Operação Lava Jato. Gleisi e Bernardo são investigados por suposto recebimento de R$ 1 milhão para custear a campanha eleitoral da petista ao Senado Federal em 2010.

Segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), o dinheiro era oriundo do esquema de corrupção e lavagem de dinheiro estabelecido na diretoria de abastecimento da Petrobrás, na época chefiada por Paulo Roberto Costa. O suposto repasse de quantias ilícitas, de acordo com a PGR, tinha como finalidade a manutenção de Costa no cargo. O pagamento do dinheiro teria sido operacionalizado pelo doleiro Alberto Youssef.

Segundo as defesas de Gleisi e Paulo Bernardo, a PGR se baseou exclusivamente nas delações premiadas de Costa e Youssef para apresentar a denúncia.

‘POLÍTICA DE COALIZÃO’. No último dia 7, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prestou depoimento ao STF no âmbito da ação penal contra Gleisi e Paulo Bernardo. Na ocasião, Lula disse que o Ministério Público acha “criminoso” o fato de partidos políticos indicarem nomes para ocupar cargos na administração pública federal.

Segundo Lula, essas nomeações fazem parte de uma “política de coalizão” para garantir a governabilidade. Em tom irônico, o petista afirmou que em outra encarnação, “vamos indicar só gente do Ministério Público ‘ para cargos do Executivo.

De acordo com Lula, Gleisi não teve nenhuma influência na indicação de Costa à Petrobrás. “Ela (Gleisi) não tinha cargo público, e o Ministério do Planejamento (na época ocupado por Paulo Bernardo) não tinha nada a ver com as indicações da Petrobrás”, disse o ex-presidente.