Dilma afirma que ‘nunca negociou diretamente pagamentos em suas campanhas’

Dilma afirma que ‘nunca negociou diretamente pagamentos em suas campanhas’

Em nota distribuída por sua Assessoria de Imprensa, ex-presidente sustenta que marqueteiros João Santana e Monica Monica 'faltaram com a verdade' nos depoimentos desta segunda-feira, 24, na Ação Judicial de Investigação Eleitoral

Luiz Vassallo, Julia Affonso e Fausto Macedo

24 de abril de 2017 | 20h53

Dilma Rousseff. Foto: Wilton Júnior/Estadão

Dilma Rousseff. Foto: Wilton Júnior/Estadão


A ex-presidente Dilma Rousseff afirmou que ‘nunca negociou diretamente pagamentos em suas campanhas eleitorais’.

Por meio de nota divulgada por sua Assessoria de Imprensa, Dilma reagiu às acusações contra ela lançadas pelo casal de publicitários João Santana e Monica Moura – marqueteiros das campanhas presidenciais de Lula (2006) e Dilma (2010/2014).

Nesta segunda-feira, 24, os dois marqueteiros prestaram depoimento na Ação Judicial de Investigação Eleitoral, no âmbito do Tribunal Superior Eleitoral.

Monica disse que discutiu pessoalmente com Dilma, no Palácio do Planalto, sobre pagamentos via caixa 2 em uma conta da agência do casal na Suíça.

A ação, movida pelo PSDB, pede a cassação da chapa Dilma-Temer, eleita em 2014, por suposto abuso de poder econômico e político.

“João Santana e Monica Moura faltaram com a verdade no depoimento colhido pelo ministro relator Herman Benjamin, fazendo afirmações desprovidas de qualquer fundamento ou prova”, afirma Dilma.

“Dilma Rousseff nunca negociou diretamente quaisquer pagamentos em suas campanhas eleitorais, e sempre determinou expressamente a seus coordenadores de campanha que a legislação eleitoral fosse rigorosamente cumprida respeitada.

A ex-presidente argumenta que ‘tudo indica que o casal, por força da sua prisão por um longo período, tenha sido induzido a delatar fatos inexistentes, com o objetivo de ganhar sua liberdade e de atenuar as penas impostas por uma eventual condenação futura’.

João e Monica já estão condenados a oito anos e quatro meses na Lava Jato. Eles fecharam acordo de delação premiada.

“As evidências demonstram que, pelos pagamentos declarados ao Tribunal Superior Eleitoral pela campanha de Dilma Rousseff de 2014, João Santana e Monica Moura foram os profissionais de marketing mais bem pagos na história das eleições no Brasil, recebendo nada menos que R$ 70 milhões”, assinala a nota da Assessoria da petista.

“Desse modo, não havia e nunca houve qualquer razão ou motivo para que o casal recebesse nenhum centavo a mais pelos serviços prestados à campanha da reeleição, especialmente nos montantes pretendidos por Monica Moura e muito menos por meio de pagamentos não contabilizados”, afirma Dilma.

LEIA A ÍNTEGRA DA NOTA DE DILMA

*Sobre os depoimentos de João Santana e Mônica Moura*

Sobre os depoimentos sigilosos prestados pelo casal João Santana e Monica Moura, nesta segunda-feira, 24 de abril, perante a Justiça Eleitoral, a Assessoria de Imprensa de Dilma Rousseff esclarece:

1. João Santana e Monica Moura faltaram com a verdade no depoimento colhido pelo ministro relator Herman Benjamin, fazendo afirmações desprovidas de qualquer fundamento ou prova.

2. Dilma Rousseff nunca negociou diretamente quaisquer pagamentos em suas campanhas eleitorais, e sempre determinou expressamente a seus coordenadores de campanha que a legislação eleitoral fosse rigorosamente cumprida respeitada.

3. Tudo indica que o casal, por força da sua prisão por um longo período, tenha sido induzido a delatar fatos inexistentes, com o objetivo de ganhar sua liberdade e de atenuar as penas impostas por uma eventual condenação futura.

4. As evidências demonstram que, pelos pagamentos declarados ao TSE pela campanha de Dilma Rousseff de 2014, João Santana e Monica Moura foram os profissionais de marketing mais bem pagos na história das eleições no Brasil, recebendo nada menos que R$ 70 milhões de reais.

5. Desse modo, não havia e nunca houve qualquer razão ou motivo para que o casal recebesse nenhum centavo a mais pelos serviços prestados à campanha da reeleição, especialmente nos montantes pretendidos por Mônica Moura e muito menos por meio de pagamentos não contabilizados.

6. A presidenta eleita Dilma Rousseff repudia, mais uma vez, o vazamento seletivo de trechos dos depoimentos, renovando a necessidade de rigorosa investigação pela Justiça Eleitoral, como a sua defesa denunciara em outra oportunidade.

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