Dia Mundial da Água: vamos refletir e agir

Dia Mundial da Água: vamos refletir e agir

Luiz Pladevall*

22 de março de 2022 | 11h30

Luiz Pladevall. FOTO: DIVULGAÇÃO

O Dia Mundial da Água, comemorado dia 22 de março, foi criado pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 1992, para alertar a população sobre a importância de preservar esse recurso limitado e insubstituível para a manutenção de todo o planeta. Entre os desafios que envolvem a questão dos recursos hídricos em nível global está o fato de que apenas uma pequena parte disponível no planeta poder ser consumida. Além disso, as mudanças climáticas têm causado a escassez dos recursos hídricos em diversas regiões do mundo, o que prejudica o atendimento da demanda social e econômica de vários países e desfavorece o acesso à água e saneamento.

Nos dias de hoje, o tema ganha reforço com a divulgação de um dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, o ODS 6: “Água potável e saneamento – Garantir a disponibilidade e a gestão sustentável da água potável e do saneamento para todos”. Esta semana, inclusive, acontece em Dakar, no Senegal, o 9º Fórum Mundial da Água. Portanto, a data é uma oportunidade para ressaltar a importância da água para a vida humana e, principalmente, para a saúde pública.

Deste modo, os serviços de água e saneamento são essenciais para a sobrevivência e o bem-estar da população e isso ficou ainda mais evidente nos últimos anos, em que o país e o mundo vivenciaram a pandemia de covid 19 e a higiene foi uma das armas contra a doença. No Brasil, atender à população brasileira com acesso digno à água potável e com coleta de esgoto é um dos grandes desafios a serem solucionados ainda no século 21.

No país, aproximadamente 35 milhões de pessoas ainda não têm acesso à água e quase 100 milhões de brasileiros não têm atendimento à coleta dos esgotos. Segundo o Ranking ABES da Universalização do Saneamento, publicado em 2021, com base em dados de 2019, apenas 119 municípios de pequeno, médio e grande porte encaixam-se na categoria Rumo à Universalização (com índices próximos a 100% de abastecimento de água e coleta e tratamento de esgoto). Resolver esses problemas exige ações que dependem de um montante significativo de recursos para a implementação da infraestrutura e também para a melhoria na gestão dos sistemas de água e esgotos, principalmente para a redução das perdas de água e conscientização da população sobre a importância do saneamento e do uso correto da água.

Na esteira deste Dia Mundial da Água, discussões sobre metodologias, técnicas e tecnologias que possibilitem um planejamento do uso da água em bacias hidrográficas, tecnologias sociais de uso, manejo e conservação da água nos diversos biomas brasileiros e uso eficiente da água em projetos públicos de irrigação, entre outras iniciativas, fazem-se necessárias para disseminar o uso consciente e mostrar as boas práticas já desenvolvidas em todo o país e incrementá-las rumo à universalização, que segundo o Novo Marco Regulatório deve ser alcançada até 2033.

O saneamento precisa de profissionais, empresas públicas e privadas, entidades e poder público participando intensamente com discussões propositivas para a construção das políticas públicas.  E a capacitação dos profissionais do setor, um dos grandes gargalos para a universalização do saneamento, precisa ser prioridade. Devemos aprofundar estas questões e compartilhar experiências e boas práticas para contribuir com a melhoria do setor no país.

*Luiz Pladevall é presidente da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e ambiental – Seção São Paulo (ABES-SP)

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