Dia Internacional da Mulher – uma longínqua busca pela igualdade

Dia Internacional da Mulher – uma longínqua busca pela igualdade

Celso Tracco*

08 Março 2018 | 08h00

Celso Tracco. FOTO: DIVULGAÇÃO

Dia 8 de março é comemorado como o Dia Internacional da Mulher. A data lembra 8/3/1857, quando 129 mulheres operárias em uma tecelagem de Nova York, entraram em greve e exigiram melhores condições de trabalho e a redução da jornada de 16 horas diárias para 10. Elas não conseguiram nada com suas reivindicações. Uma guerra, em geral, se vence a longo prazo e não apenas com uma batalha.

Principalmente tendo com causa a mudança de uma cultura milenar, onde a mulher era vista “apenas” como uma “máquina” reprodutora da espécie e cuidadora de suas crias.

Com a Revolução Industrial, a mulher passa a ter um valor econômico, ou seja, mão de obra barata para as fábricas em expansão. Agora, além de ser reprodutora, cuidar da casa e das crias, era explorada pelo novo sistema econômico. Para se ter uma ideia da força e da perseverança das mulheres pela sua causa, apenas em 1910 em um congresso feminista na Dinamarca o dia 08/03 foi escolhido como o Dia Internacional da Mulher e somente em 1975 a data foi oficializada pela ONU. Neste período, milhares de mulheres pelo mundo, pagaram com suas vidas na luta pela melhoria de condições de trabalho, pela igualdade social, pela adoção de creches, entre outras reivindicações sociais que hoje são leis em muitos países.

No Brasil, as mulheres também lutaram pelos seus direitos sociais. Apenas em 1932 foi aceito o voto feminino. Apenas em 1962 a mulher casada deixou de ser considerada incapaz pelo Código Civil Brasileiro. Antes disso precisava da autorização expressa do marido para alienar seus próprios bens e exercer determinadas profissões. Em 2006, foi promulgada a lei Maria da Penha que defende a mulher contra a violência doméstica. Mas ainda existe uma enorme desigualdade entre homens e mulheres: a renda média das mulheres é menor que a dos homens, em praticamente todas as atividade econômicas.

Elas representam 52% de nossa população, cada vez mais mulheres alcançam graus de graduação e pós-graduação universitária, já são admitidas na enorme maioria das profissões, são empreendedoras e criativas, mas ainda assim, são raras as vezes que atingem os mais altos níveis da administração privada ou pública. A plena igualdade de oportunidades ainda é uma utopia.

A sociedade seria muito mais humana, justa e solidária, se o ser humano, homem ou mulher, fosse “empoderado”, de acordo com sua capacidade cognitiva, física, emocional, comportamental e pudesse exercer a atividade que lhe cabe de forma digna e respeitosa com todos os demais e com o planeta onde vivemos. Desde o início até o fim de qualquer atividade, sempre existirá uma pessoa humana. Ela deveria ser a razão final de nosso viver.

*Economista e escritor, autor do livro Às Margens do Ipiranga – a esperança em sobreviver numa sociedade desigual

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