Dia da excelência negra

Dia da excelência negra

Leonardo Sant’Anna*

20 de novembro de 2021 | 05h00

Leonardo Sant’Anna. FOTO: DIVULGAÇÃO

DJ e radialista de coração e, como profissão, fui de professor de inglês a coronel da Polícia Militar do Distrito Federal, a consultor internacional para ONU e outras instituições internacionais como Ásia, África, Europa, América do Norte e do Sul.

Sou um brasiliense do mundo que ama a nossa cidade. Filho de um militar-professor e uma dona de casa de uma sabedoria sem igual. Três irmãos, casado, cinco filhos e cinco netos.

Tive vários desafios bons e ruins que vieram da educação. O primeiro é ser um negro em uma escola particular aos 10 anos de idade, tendo que se justificar inconscientemente, por não pertencer aquele ambiente – os outros poucos eram filhos de diplomatas.

Depois subir para palestrar em um palco com centenas de expectadores e, depois da leitura do meu currículo, ver a confusão no rosto da plateia, que esperava alguém com a cor da pele diferente da minha.

O grande terceiro desafio foi ser o primeiro policial brasileiro a representar as policias e corpos de bombeiros militares sentado em uma cadeira da ONU em Nova York. Ser respeitado em todo o país e fora dele quando transformo em solução um assunto tão caro para o brasiliense, que é proteger vidas

Eu tinha um sonho, como dizia Martin Luther King. Mas ele teve que vir com objetivos claros, consistência e compreensão de que não seria fácil. Não foi para mim, aqui de Dubai, nem para o Ministro Joaquim Barbosa no STF, nem para o Luiz Farah – que esses dias estava como âncora do Jornal da Record, para que tivéssemos uma visibilidade positiva. Mas cadê os outros líderes e expoentes negros?

É nessa hora que bate a realidade de que viemos de um país escravocrata, que ainda vai haver sim muito incômodo social, econômico e político. Mas a gente não desiste.

Por isso eu prefiro classificar o dia da consciência negra como dia da excelência negra. Somos bons o suficiente para chegar onde chegamos, mas precisamos ser perseverantes para um dia nossos filhos e netos não terem que brigar pelos espaços que merecemos.

Para acordar dessa anestesia de evolução CEO do grupo TFI EUA/Brasil, palestrante, professor, escritor, empresário e apresentador, a  pergunta que eu me fiz quando disseram que eu não poderia – e que sugiro que cada negro e negra deve fazer a si mesmo é: não posso por que?

*Leonardo Sant’Anna atuou por 28 anos na PMDF e como consultor de segurança internacional em diversos países, alguns deles pela ONU. Autor do livro Quem mexeu na minha segurança? e realizou treinamentos para corporações como o Bope

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