Dia da Escola

Dia da Escola

Rodrigo Borgheti*

15 de março de 2019 | 07h00

Rodrigo Borgheti. FOTO: RENATO LOPES

Um dia reservado à comemoração da Instituição Escolar remete-nos, inevitavelmente, à sua história que precisa ser lembrada e compreendida, a fim de entendermos sua importância. Pensando no Ocidente, notamos que a educação iniciou-se sob a responsabilidade do núcleo familiar estendendo-se à sociedade, à medida que as mesmas foram se responsabilizando pela educação das crianças, sempre com a intencionalidade de se constituírem nações autônomas e soberanas. Vemos isso nas sociedades egípcia, grega, romana, e depois nos processos de constituições dos Estados Modernos, cujos reflexos estão no que chamamos, hoje, de Escola.

A escola, como entendemos atualmente, iniciou-se com a Revolução Francesa (final do século 18) e ganhou força com a Revolução Industrial (início do século 19), em um momento em que era necessária a renovação da sociedade e a preparação para uma nova, agora com mão de obra qualificada. Os currículos escolares foram se estruturando a partir destas necessidades: era necessário a instrução sobre leitura e escrita, do cálculo, das novas ciências que, então, surgiam. Com a institucionalização das escolas, foi se regulamentando a profissão do professor, que até então era de caráter particular.

As escolas tornaram-se a grande porta de entrada da criança para o mundo. No início, a grande e talvez única oportunidade de acesso ao conhecimento. Contudo, não pensemos que todos tinham acesso: grande parte da população ainda estava muito distante da escola. Assim, no início, coube à Igreja Católica a educação das crianças e jovens.

Na França, iniciou-se o grande debate e a luta pela laicização e democratização do acesso ao ensino. Grandes filósofos travaram debates importantes e nos deixaram um legado que até hoje é estudado nas universidades, especialmente nos cursos de licenciatura. Destacamos aqui a importância de Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), autor do Emílio ou Da Educação, romance que revoluciona a educação tradicional, colocando em níveis iguais de importância a formação do intelecto, educação física, o caráter moral e da natureza própria de cada indivíduo. Além de Marie Jean Antoine Nicolás de Condorcet (1743-1794), considerado “um dos mais altos espíritos da revolução francesa e um dos fundadores da educação nacional e da escola unificada”.

No Brasil, as escolas foram introduzidas pelos Jesuítas e durante muito tempo ficaram sob a orientação das instituições religiosas católicas que assumiram o papel educativo no longo período em que não eram prioridade dos governos. Foi apenas após a Constituição de 1988 e com a LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional) de 1996 que houve uma preocupação explícita com a garantia do direito ao acesso à escola, direito esse que vem se aprimorando após esse período.

Sabemos dos inúmeros problemas que a educação pública enfrenta, como o baixo salário dos professores e as péssimas condições de algumas escolas, constituindo um sistema que talvez precise de uma série de renovações. Mas sabemos também que não podemos desistir de aprimorar nossas escolas, realizar investimentos, uma vez que as nações mais desenvolvidas não economizaram investimentos na educação de suas crianças e jovens. É, sem dúvida, uma cobrança que não deve deixar de ser feita a todos os governos.

Somente quando melhorarmos a educação e ampliarmos cada vez mais o acesso à escola teremos uma sociedade comprometida e capaz de se transformar. É assim que diminuiremos a criminalidade e, por consequência, a violência, e os sistemas penitenciários serão, com certeza, exceções.

*Rodrigo Borgheti, graduado em Filosofia e Pedagogia, mestre em Educação e doutor em Psicologia. Diretor do Colégio Marista Ribeirão Preto

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