Dez sinais de que sua empresa caminha para recuperação judicial

Dez sinais de que sua empresa caminha para recuperação judicial

Edemilson Wirthmann Vicente*

25 Agosto 2017 | 04h00

Edemilson Wirthmann Vicente. FOTO: DIVULGAÇÃO

Assim como se cuida da própria saúde, todo empresário deve zelar pelo seu empreendimento e ter em mente que identificar problemas financeiros em fases iniciais pode facilitar a solução e exigir medidas menos dolorosas do que quando providências são tomadas apenas em situações limite. A recuperação judicial exige comprometimento total da empresa, sócios e administradores desta para se restabelecerem. Muitas vezes, porém, assim como ocorrem em situações com a saúde, reconhecer que existe o problema é o primeiro passo para solucioná-lo.

Itens sinalizadores:

1) Rolagem de dívidas – Um sinal bastante comum é quando a empresa começa a ter dificuldades em honrar suas dívidas, rolando as mesmas para novos vencimentos sem capacidade de amortizar.

2) Taxas de juros mais altas – Quando o cenário se deteriora, surge um abismo entre as taxas de juros normalmente oferecidas no mercado e as praticadas para empresas em crise. Num país como o Brasil, que já está habituado com altos juros para empresas saudáveis, juros acima do mercado importam muitas vezes numa morte anunciada.

3) Dificuldade em captar crédito – As principais instituições já não concedem crédito à sua empresa. Os demais players que surgem neste momento, normalmente praticam juros mais altos, combinados a taxas por serviços que surpreendem até os mais experientes financeiros.

4) Inadimplência – Contas começam a atrasar e diversos títulos da empresa começam a ser protestados. O atraso no pagamento de impostos também pode estar presente. A constante repactuação e não cumprimento dos termos negociados é fatal para a credibilidade da empresa.

5) Capital de giro em frentes não usuais – Despesas operacionais básicas começam a ter seus pagamentos atrasados para compensar a falta do capital de giro. Um exemplo é a conta de luz, que passa a atrasar, sendo paga apenas no limite para o corte.

6) Demissões sem pagamento de rescisão – As dívidas começam a chegar no âmbito trabalhista, com demissões sendo realizadas sem o pleno pagamento dos direitos aos funcionários e colaboradores dispensados.

7) Oneração de patrimônio – Ativos da empresa e dos sócios começam a ser vendidos ou onerados em condições negativas. Enquanto num cenário de recuperação judicial um ativo liquida vários credores, num cenário de simples rolagem de dívidas se presta a garantir (e não quitar) um único credor.

8) Fornecedores precificam riscos – As empresas parceiras começam a reagir diante dos atrasos nos pagamentos com reduções nos prazos de pagamento e preços maiores que os praticados com outros clientes. As notas que antes tinham pagamentos com vencimentos em 60 dias começam a ter pagamentos exigidos em 30, 15 dias, à vista ou até adiantado em casos extremos.

9) Fragilização das relações com os clientes – O não comprimento de prazos com transferência de ônus à clientes por falta de caixa (ex. transferindo a compra de matéria prima para o cliente para simples industrialização) pode estressar a relação comercial, muitas vezes de forma incontornável.

10) Danos de imagem – A crise da empresa já é conhecida por todo o mercado e concorrentes. A exposição pública desses sinais agrava a situação com clientes, fornecedores, funcionários, acionistas e público final.

Todos esses sinais prejudicam uma condição necessária para a sobrevivência de qualquer empresa: sua credibilidade. Se a empresa vive entre uma e três dessas situações, um diagnóstico feito por profissional competente vai atribuir mais uma saída às demais já analisadas, a da recuperação judicial (que pode ser usada ou não). Com quatro ou mais, a necessidade de uma análise torna-se mais emergencial. Mesmo que não se entre em recuperação judicial é fundamental que empresas em situações de risco tenham um conhecimento prévio do cenário caso ela venha um dia a ser inevitável.

Quanto mais esgarçado estiver o relacionamento da empresa com seus diversos interlocutores, mais difíceis serão as negociações e mais dolorosas as medidas para que a empresa novamente retorne aos trilhos. Credibilidade é a alma do negócio para que uma eventual recuperação jurídica seja bem-sucedida.

Quando a empresa decide pela recuperação judicial, o que precisa ficar claro é que todos os credores (ressalvadas exceções legais) serão tratados. Diferentemente das negociações que muitas vezes se prestam para “enxugar gelo”, na recuperação judicial privilegia-se a amarra de todas as pontas. Em outras palavras, uma recuperação judicial bem executada, usualmente cura a empresa e não apenas posterga o sofrimento.

*Sócio-fundador da WVADV

Mais conteúdo sobre:

Artigo