‘Deu na cara deu na vista, mas a pose eu não perco’, Cunha ganha marchinha de carnaval

‘Deu na cara deu na vista, mas a pose eu não perco’, Cunha ganha marchinha de carnaval

Denunciado por corrupção e lavagem de dinheiro, presidente da Câmara é 'homenageado' em composição que disputa concurso carnavalesco

Mateus Coutinho

25 de dezembro de 2015 | 14h42

taxicunha

Carro estacionado na casa de Cunha está em nome de Altair Alves Pinto. Foto: Fabio Motta/Estadão

Um dos principais políticos na mira da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) também ganhou uma marchinha em sua homenagem para o carnaval de 2016.

Com o nome “Taxi Bandeiroso”, a composição faz referência ao automóvel encontrado pela Polícia Federal estacionado na residência do peemedebista no Rio durante a operação Catilinárias, desdobramento da Lava Jato no STF que realizou buscas nas casas de Cunha em Brasília e no Rio de Janeiro. O veículo pertence a um motorista apontado como um dos responsáveis por receber propina para o parlamentar no esquema de corrupção na Petrobrás.

ADCO692 BSB - 20/10/2015 - CAMARA / CUNHA - POLITICA - Presidente da Câmara deputado Eduardo Cunha da entrevista ao sair da reunião com lideres dos partidos, na presidencia da Câmara dos deputados, em Brasilia. FOTO: ANDRE DUSEK/ESTADAO

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). FOTO: André Dusek/ Estadão

“Qual o problema?/ Qual é o mau?/ Eu tenho um táxi no meu quintal/Não sou de dar bobeira/Mas dei bandeira e não foi bandeira 2”, diz a letra inscrita no concurso de marchinhas carnavalescas da Fundição Progresso, no Rio de Janeiro, pelo advogado e compositor Thiago Souza, que também fez músicas em homenagem ao agente da Polícia Federal Newton Ishii, conhecido como “japonês da federal” e até à presidente Dilma Rousseff e seu vice Michel Temer .

“Tentei explicar só piorou/E o povo se ligou/ /Perco só a condução/ E pra contornar a situação faço as entregas de charrete ou de busão, pra não ter reclamação”, segue a música.

CONFIRA A MÚSICA ABAIXO:

 

Suspeita. Em delação premiada, Fernando Falcão Soares, o Fernando Baiano, apontado como operador do PMDB, disse ter entregue a Altair Alves Pinto, dono do taxi encontrado na residência de Cunha, dinheiro destinado a Cunha. O presidente da Câmara sempre negou participação no esquema de corrupção da Petrobrás e se diz vítima de perseguição do governo e da Procuradoria-Geral da República.

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Em depoimentos à Lava Jato, Baiano disse que entregou entre R$ 1 milhão e R$ 1,5 milhão em espécie no escritório de Cunha no centro carioca, a um homem chamado Altair.

O táxi placa LSM 1530 encontrado na casa de Cunha é um Volkswagen Touareg modelo 2014, fabricado na Eslováquia. Um veículo zero quilômetro deste modelo é avaliado em torno de R$ 200 mil.

Altair Alves Pinto, de 67 anos, é desde 2003 funcionário do gabinete do deputado estadual Fábio Silva (PMDB), aliado de Cunha, onde trabalha como consultor especial para assuntos parlamentares. Antes, trabalhou também no gabinete de Cunha na Assembleia Legislativa, quando o atual presidente da Câmara era deputado estadual.

Além de funcionário da Assembleia, Alves Pinto é sócio de uma marmoraria em Muqui, cidade capixaba onde nasceu, a 175 km de Vitória. Sua mulher e filha são sócias em uma segunda marmoraria. Ele também é dono de uma fazenda. Muqui é um município com 15 mil habitantes. O prefeito da cidade, Aluisio Filgueiras (PSDB) foi colega de turma de Alves Pinto no ginásio do Colégio Estadual de Muqui. Segundo Filgueiras, Alves Pinto é “apolítico”. “Nunca trabalhou em campanha nenhuma, nunca custeou financeiramente nenhuma campanha”, afirma.

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