Desembargadora que ‘abria portas dos presídios’ afirma que seu nome foi usado ‘por terceiros’

Desembargadora que ‘abria portas dos presídios’ afirma que seu nome foi usado ‘por terceiros’

Sérgia Miranda, do Tribunal de Justiça do Ceará, alvo da Operação Cappuccino, da Polícia Federal, afirma que vai processar e colocar na cadeia 'os culpados'

Fausto Macedo, Julia Affonso e Mateus Coutinho

09 de outubro de 2016 | 06h00

Tribunal de Justiça do Ceará

Tribunal de Justiça do Ceará

A desembargadora Sérgia Maria Mendonça Miranda, do Tribunal de Justiça do Ceará, alvo da Operação Capuccino da Polícia Federal sobre venda de sentenças na Corte, afirma que ‘teve seu nome utilizado indevidamente e sem sua autorização, por terceiros, que visaram obter vantagens em ações’.

Ela informou que ‘está ingressando na Justiça, por meio dos seus advogados, com ações cíveis e criminais de apuração e reparação de danos contra os implicados para colocar na cadeia os culpados’.
Sérgia é investigada por ordem do Superior Tribunal de Justiça na Operação Cappuccino, deflagrada no dia 27 de setembro.

A Cappuccino é a segunda etapa da Operação Expresso 150.

No despacho em que autorizou a busca e apreensão e condução coercitiva da desembargadora Sergia Miranda, o ministro Herman Benjamin, do STJ, expõe o que a PF encontrou em sua investigação sobre o grupo de advogados supostamente envolvidos no esquema de venda de sentenças judiciais.

A Procuradoria-Geral da República também pediu a abertura de um novo inquérito para investigar suspeita de corrupção ativa e passiva que envolvem Sérgia e seu colega de toga, o desembargador Francisco Pedrosa Teixeira.
Sérgia Miranda é citada em conversas no grupo do Whatsapp como responsável por “abrir as portas dos presídios” durante seus plantões.

Em nota divulgada por sua defesa nesta sexta-feira, 7, a desembargadora negou veementemente ‘que tenha tido qualquer tipo de envolvimento com o esquema de venda de liminares na Justiça cearense, que está sendo investigado’.

“Na verdade, a magistrada teve seu nome utilizado indevidamente e sem sua autorização, por terceiros, que visaram obter vantagens em ações”, afirmam os advogados Nelson Calandra, ex-presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), e Ricardo Sayeg.

A defesa sustenta que ‘todos os atos que (Sérgia) praticou como magistrada esteve em consonância com a lei, a jurisprudência e suas convicções pessoais, enquanto julgadora’.

Os advogados afirmam que Sérgia ‘apoia as investigações em curso no Tribunal de Justiça do Ceará e no Superior Tribunal de Justiça, por meio ministro Hermann Benjamin, porque é a primeira interessada em que tudo seja esclarecido, que a verdade venha à tona e sejam conhecidos os verdadeiros culpados’.

“Em seu compromisso com a verdade, a desembargadora também está ingressando na Justiça, por meio dos seus advogados, com ações cíveis e criminais de apuração e reparação de danos contra os implicados para colocar na cadeia os culpados.”

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